Seguindo o importante trabalho de exibição de curtas-metragens no Brasil, o Porta Curtas Petrobras disponibiliza nove curtas que estão sendo exibidos no Festival do Rio e que concorrem ao Prêmio Porta Curtas. Os dois vencedores serão contratados para exibição permanente no site. O resultado será divulgado no dia 09 de outubro. Você pode ainda fazer comentários que serão lidos pelos diretores ou recomendar curtas para alguém votar. Assista.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Festival do Rio: Abraços Partidos

Os filmes de Almodóvar são sempre uma ótima surpresa para o público! Após estes filmes que acompanhei no festival, Abraços Partidos foi o primeiro que vi sendo aplaudido ao término da sessão, que por sua vez não era de estréia, muito menos no Odeon. Foi a primeira sessão do dia, em plena segunda-feira, e lá estava a sala lotada e pessoas voltando, pois os ingressos haviam se esgotado há pelo menos uma semana.
Uma senhora que se sentava nas primeiras fileiras, pouco antes do filme começar se preocupou em contar quantos homens estavam presentes na sessão, e rindo, disse à moça que estava ao lado, que pelas suas contas não havia mais de oito. Nesse momento pensei e constatei que de fato o Almodóvar atrai em massa o público feminino, não à toa, é claro. Sabemos que quase todas suas referências se reportam ao feminino de uma forma ou de outra. E isso não exclui a ala masculina, muito pelo contrário, talvez até desperte interesse para seu cinema.
Abraços Partidos, bem como outros filmes de Almodóvar, elege a tragédia como ponto de partida para o enredo que quase sempre se mistura à ficção. Neste ele trata com mais seriedade essa tragédia, conduzindo o roteiro para uma linha quase noir, de suspense investigativo. Ainda assim não deixa de lado os elementos sempre presentes em seus filmes anteriores, que incluem o exagero, a comédia rasgada, mulheres histriônicas e figuras já conhecidas pelos fãs desse diretor que sempre agrada o público. Penélope Cruz deveria ser a vida inteira dirigida por ele. É impressionante como ela cresce e brilha nos filmes de Almodóvar. Destaque também para Lluís Homar que já havia trabalhado em Má Educação, e que em Abraços Partidos interpreta maravilhosamente bem o personagem Harry Caine, um roteirista cego, e para Mateo Blanco, intérprete de um diretor de cinema.
É também no momento em que o filme é remontado, como aliás é de costume em seus trabalhos anteriores, que identificamos o estilo "Almodoviano" de inserir explicações metafóricas e dar sentido àquilo que no início da trama ficou "perdido". Não podia ser outra a cor tão explorada em seus cenários, personagens, figurinos e etc, se não o vermelho, que aparece em todas as sequências, seja na boca das mulheres, nas unhas dos pés, na mala da senhora, no quadro atrás da mesa, no carro que está envolvido num desastre e claro, no sangue que dá lugar a tragédia expressa tão bem pelos personagens dirigidos por ele. Fico sempre com a sensação de que será quase impossível sairmos incólumes de uma sessão de cinema desse diretor que consegue afetar o público, inclusive aqueles que não gostam do seu estilo, sem nos identificarmos com seus personagens, com suas histórias tão reais e viscerais que tocam de uma maneira ou de outra. Assistam Abraços Partidos! Se trata de mais uma maravilha entre as outras já feitas por Almodóvar!
Postado por
Marcelo Müller
às
11:59
domingo, 27 de setembro de 2009
Festival do Rio: O Desinformante!

Baseado em fatos, O Desinformante! conta a história de Mark Whitacre, personagem vivido por Matt Damon , funcionário de uma grande empresa que ansiava por ocupar a presidência. Em meio a um assédio para ser informante do FBI, Mark cede e passa a espionar sua empresa de origem. A confusão que ele se mete durante o filme poderia ser desenvolvida como um ritmo frenético e de perseguições implacáveis e tudo mais, mas Steven Soderbergh opta por uma comédia sofisticada com uma trilha maravilhosa que dá um toque especial ao filme.
Matt Damon nunca esteve tão bem caracterizado. Imaginem ele com alguns anos a mais do que seus 38 anos reais e um visual bem setentista, com direito a óculos quadrados, uns quilos a mais e bigode. Além dos trejeitos perfeitos de um sujeito sob pressão, estressado e diagnosticado como bipolar. A meu ver, ele é a alma do filme. Por sinal, um filme que, devido ao gênero, se torna cansativo em alguns momentos, por ter muita descrição, detalhes, nomes, informações, tornando-o confuso. Mas nada tira o brilho de Matt Damon que se supera na interpretação.
Matt Damon nunca esteve tão bem caracterizado. Imaginem ele com alguns anos a mais do que seus 38 anos reais e um visual bem setentista, com direito a óculos quadrados, uns quilos a mais e bigode. Além dos trejeitos perfeitos de um sujeito sob pressão, estressado e diagnosticado como bipolar. A meu ver, ele é a alma do filme. Por sinal, um filme que, devido ao gênero, se torna cansativo em alguns momentos, por ter muita descrição, detalhes, nomes, informações, tornando-o confuso. Mas nada tira o brilho de Matt Damon que se supera na interpretação.

Postado por
Marcelo Müller
às
19:49
sábado, 26 de setembro de 2009
Festival do Rio: Doce Perfume

Com o peso e a densidade que lhe são peculiares, Andrzej Wadja narra um filme dentro de um outro filme. Cada cena nos dá a impressão de que foi feita artesanalmente. Muita ênfase nas interpretações soberbas, intensas, fazendo lembrar os filmes de Bergman, com aquela estrutura densa, profunda, diálogos sofridos, angustiantes. Sem falar na fotografia, linda! Parte do filme acontece como uma espécie de monólogo, onde a protagonista, vivida pela atriz Krystyna Janda, ensaia falas dentro de um quarto que contém apenas uma cadeira e uma cama, com pouca iluminação, impregnado de um clima claustrofóbico. O filme vai se explicando a partir desses monólogos e tomando corpo com a história em si sendo contada através dessas imagens que contém elementos oníricos e metafóricos.
Tive a impressão de que tamanha dureza, retratada nos diálogos e no próprio roteiro, não caíram em momento algum num melodrama ou numa sofrida angústia nua e crua. Pode parecer estranho, mas acho que Andrzej Wadja conseguiu ser suave, e nos convidar a mergulhar fundo nesse universo de dor e tristeza sem ser apelativo. Natural, e para quem viu o filme talvez entenda a reação de muitos saírem do cinema como aconteceu hoje, antes da metade. Pois incomoda, entristece, angustia, mas ao mesmo tempo Doce Perfume expressa uma beleza única, ímpar, onde todo detalhe é cuidadosamente trabalhado, cada cena traz consigo um recorte do filme inteiro.
Andrzej Wadja foi generoso escrevendo e dirigindo esse belo filme. Não é pra qualquer um, não deve cair nas graças da maioria e pode facilmente ser taxado de "filme arrastado". Em contrapartida quem adere ao estilo desse diretor polonês se apaixona e deve sair do cinema assolado, encantado, mas também triste. Gostaria de rever Doce Perfume, achei imperdível! E senti que quem ficou até o fim saiu com esta mesma sensação.
Tive a impressão de que tamanha dureza, retratada nos diálogos e no próprio roteiro, não caíram em momento algum num melodrama ou numa sofrida angústia nua e crua. Pode parecer estranho, mas acho que Andrzej Wadja conseguiu ser suave, e nos convidar a mergulhar fundo nesse universo de dor e tristeza sem ser apelativo. Natural, e para quem viu o filme talvez entenda a reação de muitos saírem do cinema como aconteceu hoje, antes da metade. Pois incomoda, entristece, angustia, mas ao mesmo tempo Doce Perfume expressa uma beleza única, ímpar, onde todo detalhe é cuidadosamente trabalhado, cada cena traz consigo um recorte do filme inteiro.
Andrzej Wadja foi generoso escrevendo e dirigindo esse belo filme. Não é pra qualquer um, não deve cair nas graças da maioria e pode facilmente ser taxado de "filme arrastado". Em contrapartida quem adere ao estilo desse diretor polonês se apaixona e deve sair do cinema assolado, encantado, mas também triste. Gostaria de rever Doce Perfume, achei imperdível! E senti que quem ficou até o fim saiu com esta mesma sensação.
Postado por
Marcelo Müller
às
23:39
Festival do Rio: Distante Nós Vamos

No 2º dia de Fest Rio, um tanto quanto movimentado e falado, o público ainda estava sob impacto de Aconteceu em Woodstock de Ang Lee, que abriu o festival, e com o vídeo que antecedeu o filme, o qual homenageava a atriz francesa Jeanne Moreau. Agnès Varda também esteve presente na abertura.
Na fila para compra e troca de ingressos na bilheteria de um cinema que possui 600 lugares, me impressionei com o entusiasmo das pessoas achando que todos iriam assistir Distante Nós Vamos! Pensei: ainda bem que garanti meu ingresso com antecedência, pois se chegasse em cima da hora, perderia com certeza. Mas, para minha surpresa, o entusiasmo expresso na fila era para compra de Abraços Partidos do Almodóvar. E de fato só se ouvia falar em Almodóvar e a preocupação de 80 % daquelas pessoas em garantir seus ingressos. Este mesmo cinema que possui pouco mais de 600 lugares deve ter sido ocupado em mais ou menos 10%, no máximo. Distante Nós Vamos, em seu 2º dia de exibição, não lotou as salas, curiosamente.
O público, mais variado possível, fazia jus a um grupo de amantes que vem crescendo no RJ. Um senhor que devia ter seus 70 anos ocupava uma das cadeiras e me deu a honra de conversar por alguns minutos antes do filme começar. Paulista, cinéfilo que acompanha todos os anos os festivais do RJ e SP, me disse que sua média de filmes para esse ano era 60 e que desde 1940, após quase todos os filmes que assiste, faz questão de registrar em um livro que guarda todas suas impressões desta data até os dias de hoje. Ele escreve para o "Scoretrack" e é membro de uma comunidade chamada "Confraria Lumière". Confesso que me emocionei em ver um homem daquela idade com tanta paixão, esperança e disposição para enfrentar uma maratona de filmes que, segundo ele, faziam parte de sua vida.
Por falar em esperança, Distante Nós Vamos trata de uma forma esperançosa a questão do amor, cumplicidade e identidade. Em meio a um mundo neurotizado, como saber quem somos nós? Como identificar nossos desejos e anseios, sem nos basear numa "realidade" fabricada? Sam Mendes, diferentemente dos seus trabalhos anteriores, propõe uma linha bem mais light e menos carregada de emoções fortes. Um road movie que nos leva a acompanhar o filme do início ao fim com euforia, nos dando certeza a todo tempo que o filme não sairia muito daqueles moldes, nada de surpresas, mas ainda assim valia à pena! Ora comédia, ora drama, esse mix de estilos presentes no filme deu certo. Destaque para o protagonista, interpretado por John Krasinski, que dentro da proposta, arrasa e comove, cativa a todo momento. Devo admitir que pra quem tem Foi Apenas um Sonho como uma referência e profunda admiração como eu, Distante Nós Vamos fica atrás, inevitavelmente. Sinto falta dos dramas pesados e realísticos que Sam Mendes injetou em filmes como Beleza Americana e Foi Apenas um Sonho. A ingenuidade, simplicidade e aproximação de um gênero bastante explorado hoje pelos cineastas, só reforça a idéia de que essa fórmula funciona, e como! O filme é bonito, sensível e vale à pena. Só não me faz lembrar muito do Sam Mendes e de seu cinema.
Na fila para compra e troca de ingressos na bilheteria de um cinema que possui 600 lugares, me impressionei com o entusiasmo das pessoas achando que todos iriam assistir Distante Nós Vamos! Pensei: ainda bem que garanti meu ingresso com antecedência, pois se chegasse em cima da hora, perderia com certeza. Mas, para minha surpresa, o entusiasmo expresso na fila era para compra de Abraços Partidos do Almodóvar. E de fato só se ouvia falar em Almodóvar e a preocupação de 80 % daquelas pessoas em garantir seus ingressos. Este mesmo cinema que possui pouco mais de 600 lugares deve ter sido ocupado em mais ou menos 10%, no máximo. Distante Nós Vamos, em seu 2º dia de exibição, não lotou as salas, curiosamente.
O público, mais variado possível, fazia jus a um grupo de amantes que vem crescendo no RJ. Um senhor que devia ter seus 70 anos ocupava uma das cadeiras e me deu a honra de conversar por alguns minutos antes do filme começar. Paulista, cinéfilo que acompanha todos os anos os festivais do RJ e SP, me disse que sua média de filmes para esse ano era 60 e que desde 1940, após quase todos os filmes que assiste, faz questão de registrar em um livro que guarda todas suas impressões desta data até os dias de hoje. Ele escreve para o "Scoretrack" e é membro de uma comunidade chamada "Confraria Lumière". Confesso que me emocionei em ver um homem daquela idade com tanta paixão, esperança e disposição para enfrentar uma maratona de filmes que, segundo ele, faziam parte de sua vida.
Por falar em esperança, Distante Nós Vamos trata de uma forma esperançosa a questão do amor, cumplicidade e identidade. Em meio a um mundo neurotizado, como saber quem somos nós? Como identificar nossos desejos e anseios, sem nos basear numa "realidade" fabricada? Sam Mendes, diferentemente dos seus trabalhos anteriores, propõe uma linha bem mais light e menos carregada de emoções fortes. Um road movie que nos leva a acompanhar o filme do início ao fim com euforia, nos dando certeza a todo tempo que o filme não sairia muito daqueles moldes, nada de surpresas, mas ainda assim valia à pena! Ora comédia, ora drama, esse mix de estilos presentes no filme deu certo. Destaque para o protagonista, interpretado por John Krasinski, que dentro da proposta, arrasa e comove, cativa a todo momento. Devo admitir que pra quem tem Foi Apenas um Sonho como uma referência e profunda admiração como eu, Distante Nós Vamos fica atrás, inevitavelmente. Sinto falta dos dramas pesados e realísticos que Sam Mendes injetou em filmes como Beleza Americana e Foi Apenas um Sonho. A ingenuidade, simplicidade e aproximação de um gênero bastante explorado hoje pelos cineastas, só reforça a idéia de que essa fórmula funciona, e como! O filme é bonito, sensível e vale à pena. Só não me faz lembrar muito do Sam Mendes e de seu cinema.

Postado por
Marcelo Müller
às
19:09
domingo, 20 de setembro de 2009
Festival do Rio: Expectativas
Este ano o Festival do Rio, que terá início dia 24, em sua 11ª edição exibirá mais de 300 filmes, de mais de 60 países, durante 15 dias. São no total 20 Mostras, que incluem filmes de alguns diretores consagrados e tão aguardados pelo público, como: Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar, Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino e Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee, que abrirá o festival. Junto com as Mostras de todos os anos (Panorama do Cinema Mundial, Première Brasil, Latina, Midnigth Movies, Limites e Fronteiras, Mundo Gay, Dox e Gerações) algumas novidades entram no circuito este ano, são elas: Meio ambiente (8 filmes que exploram questões ecológicas e sociais), O Brasil do Outro (a visão estrangeira do nosso país) e mais seis longas da Turquia. O cinema francês terá lugar especial nesse festival, por conta do ano da França no Brasil, nos presenteando com mais 4 Mostras. Isabelle Huppert e Jeanne Moreau serão as homenageadas. Uma seleção de filmes menos conhecidos da atriz Isabelle Huppert será exibida também. As expectativas são as melhores para esse ano. Os cariocas estão ansiosos pelos eventos que envolvem a visita de Agnès Varda, Quentin Tarantino e Jeanne Moreau, além do argentino Juan Jose Campanella.
Clique aqui e confira a lista completa de filmes do Festival do Rio 2009.
Clique aqui e confira a lista completa de filmes do Festival do Rio 2009.
Postado por
Marcelo Müller
às
09:51
sábado, 19 de setembro de 2009
Anticristo
Direção: Lars Von TrierRoteiro: Lars Von Trier
Elenco: Charlotte Gainsbourg , Willem Dafoe
Lars Von Trier é o mais controverso dos cineastas. Farsa para muitos, genial para outros tantos, ele realmente polariza opiniões. Mas se há algo que suas obras não permitem é a inércia. Reage-se, de alguma maneira. Seus filmes mexem com o espectador. O que esperar então de um filme escrito e filmado durante uma dolorosa crise de depressão que Von Trier teve e que, segundo palavras próprias, o ajudou a superá-la? Anticristo, ainda segundo seu criador, é um filme no qual ele colocou sessenta por cento de sua capacidade intelectual. Estaria ele sendo excêntrico e auto-indulgente ou nada mais do que sincero?
No filme, um casal está devastado pela morte recente do filho pequeno. Ele é terapeuta e não aguenta ver sua mulher sendo entupida de remédios que buscam retardar ou entorpecer sua dor. Ele parece fascinado clinicamente pela esposa. Decide então se isolar com Ela, para assim tratar da dor lancinante que sua parceira sente. Eles vão para Éden, uma cabana no campo, afastada de tudo e de todos. O que se vê são os esforços e os jogos que Ele propõe a fim de que Ela comece a processar seus sentimentos, a aceitar as diversas fases do luto e da dor. Temos três personagens muito presentes: o homem, a mulher e o ambiente. As imagens são fortes, nada é sugerido, as coisas são como são.
Anticristo começa na esfera racional, propondo uma visão “clínica” acerca do trauma que o casal sofre, e vai aos poucos mesclando esta com uma visão do irracional, representada por elementos religiosos que abundam e viram as referências mais fortes, principalmente para a personagem feminina, a partir da segunda metade do filme. Além disso, suscita polêmica a maneira pela qual Von Trier retrata a mulher, como um veículo para satanás, sendo seu sexo a tentação pela qual arruína os homens, os verdadeiros representantes de deus na terra. Acredito que Von Trier quis apenas mostrar que esta ideia histórica, oriunda do pecado original, de que a mulher é fraca e induz o homem ao erro, ainda resiste em muitos núcleos. Imagino que ele não concorde com ela, e que o fato de ele assim a apresentar não pode ser tido como prova de uma misoginia que, com frequência, lhe atribuem. Aliás, a força feminina presente no filme é Charlotte Gainsbourg, que está magnífica, numa interpretação visceral e corajosa (se já viu, sabe que aqui não banalizo os adjetivos) e que é bem acompanhada por um Willem Dafoe que esbanja a competência de sempre.
O filme está repleto de cenas maravilhosas, e não falo somente da aclamada sequência inicial, fotografada num lindo preto e branco, com imagens lentas, de poderoso efeito dramático, mas de toda a composição visual. Caso você se incomode com canibalismo, penetrações ou mesmo ejaculações de sangue, Anticristo pode parecer um pouco chocante demais. Mas se apurar o olhar, verá um artista que não tem medo de ultrapassar fronteiras na busca de fidelidade ao seu cinema. É um daqueles filmes que nos seguram firme, não só pelo visual apurado, mas principalmente pela história rica em elementos, cheia de nuances. Lars Von Trier conseguiu mais uma vez. Não agradou a todos com seu Anticristo, mas, a meu ver, criou uma obra fortíssima, de clima claustrofóbico e envolvente, que ganhará admiradores com o tempo. Sua visão é única, e assistir a um filme destes é uma necessidade para qualquer fã de cinema.
Postado por
Marcelo Müller
às
17:41
Assinar:
Postagens (Atom)
