quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Festival do Rio 2010: Diversos #01

A GENTE ACABA SE ACOSTUMANDO
A gente acaba se acostumando, um média metragem em formato de documentário, narra a história de 5 meninas que tentam se reinserir na sociedade Iraniana após terem fugido de casa por motivos diversos como: abuso sexual, uso de drogas, conflitos familiares etc. O filme mostra essas cinco jovens à partir do ponto de vista do abrigo que as acolhe. Este abrigo representa um refúgio com suporte médico e psicológico, dirigido por assistentes sociais que na maior parte do tempo fazem o papel de cuidadores dessas meninas. No entanto elas se mostram bastante insatisfeitas e tristes por se sentirem presas lá dentro. Os pontos interessantes ao meu ver foram aparecendo na medida em que as cinco jovens respondiam às entrevistas e expunham suas queixas e justificavam o porque de estarem ali. No mais, o filme cansa um pouco, devido ao formato: câmera na mão e closes demorados, além das falas longas e repetitivas. Saí do cinema com a impressão de que o filme agrada mais pelas informações que ele oferece a respeito do tema e pelos dados curiosos acerca de uma sociedade que quase não conhecemos.


TODAS AS MÃES
Coincidentemente este e o filme anterior A gente acaba se acostumando se assemelham em diversos pontos: A começar pela duração, ambos tem aproximadamente 50 minutos, e também ambos são uma espécie de documentário. Depois a temática e a ambientação.Todas as mães se passa no Iraque (Kurdistão) e nos apresenta o efeito dos trinta anos de ditadura do partido liderado por Saddam Hussein. Embora bastante arrastado e por oras monótono, o filme mostra cenas fortes quando surgem as mulheres: irmãs e mães que perderam parentes nessa batalha, no total foram 4500 vilas destruídas e 182 vítimas.O relato delas nos emociona e choca, mais ainda quando falam sobre a expectativa de vida nesse lugar. Quando, por exemplo, avós comemoram por terem netos, se vangloriando do fato de ainda terem filho vivos. Já outras, ainda esperam seus filhos, maridos e irmãos retornarem mesmo tendo a consciência de que a probabilidade desses parentes terem morrido é muito grande. O luto constante faz parte deste povo que espera a morte como se espera uma visita qualquer. Destaque para a fotografia da cena final, onde os caixões com os corpos chegam ao Kurdistão reunindo milhares de pessoas à espera de alguma notícia sobre os seus, ainda que seja da morte, que a esta altura significa algum sinal real , algum porto seguro para essas pessoas que vivem sem esperança alguma.


TERÇA DEPOIS DO NATAL
Com uma sinopse não muito atraente, tema bem manjado no cinema Terça depois do natal não deixa a desejar de forma geral, exceto o fato de não acrescentar muito ao gênero. Quero dizer, que assim como este, outros filmes já exploraram muito melhor a temática: traição conjugal x conflito familiar. Filme Romeno que conta a história de Paul casado com Adriana há dez anos, pais de uma menina de oito. Há seis meses no entanto, ele mantém um caso com Raluca, a dentista de sua filha. Bom, o drama todo se inicia quando Paul resolve levar a filha à dentista. O que ele não esperava é que sua mulher fosse fazer questão de acompanhá-los neste dia. Quando ele se vê diante das duas, se sente pressionado a tomar uma decisão e à partir daí a dinâmica familiar muda. As atuações são medianas, nada que comprometa o desenvolvimento do filme mas também nada de se aplaudir. Em um dado momento fiquei esperançosa do ator Dragos Bucur, (presente nesse elenco) ocupar um papel de maior destaque como já havia feito e muito bem em Polícia, Adjetivo, outra produção romena, mas não, ele interpreta um dos amigos do casal de protagonistas, num papel bem secundário. Para finalizar, volto a dizer que Terça depois do natal não fica devendo nada mas, ao meu ver, também não acrescenta muito. Em todo caso, na maré que estamos já é um dado positivo o filme não se comprometer negativamente.

Festival do Rio 2010: Viúvas Sempre às Quintas


Há mais de cinquenta anos, Billy Wilder derrubou barreiras no cinema ao fazer um cadáver narrar uma história. Tal corpo, presente no espetacular Crepúsculo dos Deuses, é apresentado logo na primeira sequência do filme, dentro de uma piscina. O argentino Marcelo Piñeyro faz uma explícita homenagem ao diretor com o seu Viúvas sempre às quintas, quando inicia seus créditos de abertura com a análise lenta e contemplativa de três corpos submergidos em uma piscina luxuosa – ponto de partida plasticamente incrível para o que se anuncia como um filme instigante.

Quando os corpos de três influentes moradores de um condomínio residencial são encontrados, temos de voltar no tempo para conseguir compreender o que pode ter acontecido para que tal trágico fato ocorresse. Analisando a vida dos habitantes do local logo fica claro que toda a aparente tranquilidade é apenas uma concha protetora - aqui metaforicamente representada com os muros do condomínio – para um universo de aparências, traições e corrupção.

“Por fora eu sou linda como o sol, mas por dentro eu estou apodrecida”, diz alguém em certo momento do longa, referenciando o próprio desenvolvimento do filme e de seus personagens de forma indireta. Quando Piñeyro passa a os apresentar, o faz com calma e ritmo crescente, fugindo de uma linearidade cronológica que poderia tornar o filme aborrecido. O diretor inclusive diz que resolveu essas questões na sala de montagem, quando decidiu quebrar a barreira do convencional para dar mais vida à sua produção.

Em Viúvas sempre às quintas acompanhamos a rotina aparentemente fácil de quatro casais repletos de problemas, mas sem nenhuma mancha danificando a superfície imaculada de suas vidas. Em uma cena chave, com um jantar de aniversário, Piñeyro condensa uma série de informações que guiam seu filme: há um duelo não confesso entre todos pela perfeição e harmonia, mas quando as portas de suas casas estão fechadas é que a podridão dessas pessoas, seres comuns que se mostram superiores uns aos outros, aparece.

O roteiro de Marcelo Piñeyro e Marcelo Figueiras, baseado em livro de Claudia Piñeiro, é pautado na desconstrução desse núcleo narrativo que funciona como um microcosmo de nossa sociedade. Cientes mas indiferentes aos problemas do mundo (aqui representados através de uma difícil crise financeira), seus personagens apenas passam a encarar esses infortúnios quando isso é inevitável – e ainda assim buscam a solução na cápsula protetora que é o local onde eles vivem.

Não é de hoje que a vida de aparência da classe alta é analisada com tanta crítica e parcialidade, sendo exemplos óbvios os filmes Felicidade, de Todd Solondz, Entre quatro paredes e Pecados íntimos, de Todd Field, Beleza americana e Foi apenas um sonho de Sam Mendes. Viúvas sempre às quintas pode ser reverenciado dentre os outros ótimos títulos supracitados justamente por fazer isso com originalidade e extrema competência.

Fazendo uso de uma série de recursos que reforçam sua trama, tendo no visual um importante fator que acrescenta à sua proposta, Piñeyro busca principalmente na fotografia e direção de arte uma aliança que torna o filme ainda mais deslumbrante. Os brancos e perolados impecáveis estão sempre presentes, saindo apenas para dar lugar às sombras e aos tons frios quando o clima do filme precisa disso. A direção, econômica, busca privilegiar justamente um roteiro completo e complexo, que não se propõe a dar soluções fáceis ou a buscar por elas para resolver sua trama.

Mostrando um amadurecimento elogiável desde seus bons Plata quemada e Kamchatka, Marcelo Piñeyro e seu Viúvas sempre às quintas merecem destaque por qualidades já pouco recorrentes no cinema atual. Quando um filme vai além do que poderia ser dentro de sua proposta, trazendo mais conteúdo do que apenas um belo trabalho audiovisual, merece reconhecimento – e esta verdade se encaixa perfeitamente ao filme de Piñeyro.

Festival do Rio 2010: 01 filme, 01 parágrafo # 01

AMORES IMAGINÁRIOS
Xavier Dolan é o auteur da vez. Incensado em festivais e alvo de grandes elogios e expectativas, o rapaz de 21 anos investe sua inventividade narrativa para contar o pretenso triângulo amoroso entre três pessoas: dois amigos, um garoto e uma garota, que se apaixonam por um exótico jovem. As características de Dolan enquanto roteirista e diretor se mantiveram de seu primeiro filme, o melodrama Eu matei a minha mãe, para este Amores Imaginários. Com uma trilha excelente, que vai de Bach a Dalida, Dolan quase se perde na pretensão de realizar um moderno conto de amor, ficando muito atrás de autores mais competentes, como Christophe Honoré – que aqui parece referência para o jovem. A dúvida maior em relação ao realizador é se ele superará as crescentes expectativas para com o seu cinema, ou se deixará se levar pela crítica em direção ao nada, como aconteceu com M. Night Shyamalan.


MINHAS MÃES E MEU PAI
Lisa Cholodenko, assim como Dolan, tem em mãos a história de um relacionamento que só poderia ser apresentado no cinema atual. Levando com naturalidade e sem muito posicionamento, Cholodenko insere o tema da busca pela paternidade em uma família chefiada por duas mulheres. Com Julianne Moore e Annette Benning em excelentes atuações, Minhas mães e meu pai segue com linearidade os conflitos que surgem no núcleo familiar com a chegada de Paul, doador de esperma que gerou os dois filhos do casal homossexual. Com boas sacadas e um roteiro ágil, o filme infelizmente fica próximo demais ao convencional, tratando o tema novo dentro de uma estrutura já muito utilizada em outros filmes. É um quase grande filme, mas sem dúvida fará sucesso na temporada de prêmios que se aproxima – como já fez com o Teddy no Festival de Berlim.


VIPS
Os brasileiros conhecem bem a história de Marcelo do Nascimento, farsante que se passou por irmão do dono das empresas aéreas Gol, dada a precocidade com que tais fatos foram noticiados pela mídia nacional. Marcelo, interpretado por um preguiçoso Wagner Moura, é o centro de VIPS, produção dirigida com muitos excessos por Toniko Melo. Em seu roteiro, VIPS se propõe a analisar os motivos que levaram o farsante a ir tão longe – e o faz se utilizando de clichês de maneira irresponsável, como se fossem novidades (quem conhece a telessérie Dexter ou dedicar um pouco mais de atenção ao filme vai sacar algo tido como importante em seus primeiros minutos). VIPS é produção nacional que sofre por tentar ser o que não é: um drama biográfico inovador que acaba com cara de produção televisiva (ruim) dos Estados Unidos. Chato é ver a O2 e Fernando Meirelles envolvidos como produtores de um filme que não acrescenta em nada à cinematografia brasileira.


A VIDA ACIMA DE TUDO
É gratificante ter a oportunidade de ver o cinema produzido na África, visto que são poucos os filmes do continente que chegam até nós, brasileiros. A Vida acima de tudo, do alemão Oliver Schmitz, é um drama intenso repleto de boas atuações e de abordagem contundente, que dificilmente deixará seu espectador indiferente. Na trama conhecemos Chanda, garota de 12 anos que comanda sua família disfuncional em meio ao início da propagação da AIDS no continente africano. O tema central do filme são as intrigas, mentiras e o velho e irritante hábito de muitos em controlar a vida dos outros. Chanda passa por péssimas situações enquanto o filme se encaminha por uma genuína tour de force – ainda que se estenda mais que o necessário. Um drama que merece ser visto, embora seja difícil imaginar que o mesmo ganhe distribuição em nosso país. Destaque para a fotografia e para a comovente cena final do longa, confessamente melodramática, mas muito tocante. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Festival do Rio 2010: Riscado (segunda opinião)

Enquanto a turma veterana do cinema nacional, em sua grande maioria, entrega mais do mesmo cinema – sejam produtos comerciais ou pretensas obras de arte -, deve-se ficar de olho naqueles que começam agora no ofício. Do que foi apresentado até o momento na Première Brasil no Festival do Rio, é justamente um jovem diretor que entregou o melhor filme: uma pérola chamada Riscado.

Em Riscado conhecemos Bianca, jovem atriz que faz o que pode para sobreviver no ramo: seja como panfletista ou participando de vexaminosos (não para ela) telegramas animados. Ela segue a vida da melhor maneira que pode, conseguindo tempo ainda para participar de um grupo de teatro. Quando uma oportunidade melhor aparece, para protagonizar um filme coproduzido entre o Brasil e a França, Bianca sabe deixa tudo em segundo plano para seguir seu sonho e aceita a proposta sem pensar duas vezes.

Riscado não pertence a nenhuma classe muito difundida de cinema. Tem uma estrutura simples mas é inventivo em sua grande maioria, entregando soluções visuais para evitar óbvios e massantes diálogos. Dentre eles, uma série de recursos bonitos, que enriquecem o filme, são inseridos pontualmente na forma de pequenos vídeos gravados com uma câmera digital comum – como se tivessem sido feitos por Bianca.

A competência de Pizzi como diretor fica evidente através de seu controle de câmera, assim como pela ótima escolha de uma estética crua e realista, sendo que seus planos não estão ali para sobreporem à narrativa do filme - o que mostra maturidade para um diretor estreante. Em Riscado, Pizzi busca alterar signos de um cinema que já é comum hoje, mas sem se tornar excessivo, sendo isso uma escolha que obviamente contribui com seu belo trabalho.

Karina Telles, esposa do diretor, encorpora Bianca com maturidade e profundidade incríveis. Telles tem uma beleza particular, não óbvia, e dá à personagem uma gama enorme de sentimentos que ficam muitas vezes explícitos apenas pelo seu olhar – que, sem exageros, me fez pensar em Liv Ullmann por mais de uma vez. Riscado não seria nada sem sua interpretação, talvez apenas um filme esteticamente bonito e de roteiro interessante, mas a forma motriz do filme está toda na atriz. Não seria surpresa nenhuma (mas sim uma grande satisfação) que a mesma vença o Festival na categoria de Melhor Atriz.

Em suma, Riscado é um trabalho melancólico e duro, repleto de questões pontuais que são levantadas com muito tato e sutileza. Através de Bianca, Pizzi fala sobre o pouco valorizado trabalho do ator, visto por muitos como vaidade ou hobby, e indiretamente ataca os meios de produção do cinema nacional. Cinema este que felizmente, ainda que vez ou outra, nos agracia com ótimas produções como este Riscado.

Festival do Rio 2010: Riscado


O início da sessão contou com a presença do diretor, ainda muito jovem, diga-se de passagem: Gustavo Pizzi, que junto com os atores falou um pouco do filme que seria exibido em seguida. Muito além das minhas expectativas Riscado é redondo, coeso, com muitos elementos realísticos o que nos possibilita fazer identificações o tempo todo. O filme aborda a importância da sorte em nossas vidas, medindo o esforço e o talento necessários para se conquistar uma carreira sólida. Sem rodeio, mas com muita poesia, o filme mostra uma atriz iniciante que vive no sufoco para se sustentar e apela para sub-empregos, até que um dia surge uma oportunidade de filmar a sua própria história de vida. Num ritmo minimalista, Riscado vai dando seu tom sentimental, sensível e humano. Nesse enredo atraente e realístico o filme atinge diversos pontos altos. A atriz que interpreta a personagem Bianca, dá show quando passa pelas situações de perda e conquista, nos emocionando. Além da linda fotografia, Riscado tem um roteiro criativo e uma trilha muito bonita. Destaque para Karine Teles, a protagonista Bianca, numa cena com Otávio Muller.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Festival do Rio 2010: Kaboom

 
KABOOM (com todo respeito) de araque!

Kaboom de Gregg Araki conta a história de um universitário que se relaciona com meninos e meninas e que, em meio a confusão de festas e rolos amorosos, começa a ter alucinações e sonhos estranhos. Imaginem personagens estranhos, caricatos e cada um mais bizarro que o outro? Desde machões musculosos bronzeados, surfistas, passando por meninas com superpoderes a adolescentes gays caricaturais. O enredo se perde desde o princípio. As primeiras cenas nos dão uma pontinha de esperança de que a narrativa se transforme e saia de um pólo absurdo e vá para algum mais sano, mas não. Parece que Gregg Araki pretendia ir além de um "teen gay" e o transforma também em um tipo de Trash-B moderninho da pior qualidade.

Um dos problemas do filme é que o enredo vai se desenvolvendo a partir dos sonhos e alucinações dos personagens que não tem consistência alguma, bem como os personagens já citados acima. Talvez Gregg Araki pretendesse rumar para águas bem mais rasas se aventurando numa comédia trash ou coisa parecida. Se for isso, ele conseguiu pelo menos tirar risadas do público que se mostrava ora inquieto ora irritado por conta da legenda que falhava, todo momento, mas que também por outro lado não fazia muita falta para compreensão geral das cenas. Sem muito a oferecer Araki será lembrado muito mais por Mistérios da Carne até que produza um outro longa à altura. Aguardo esse momento. Para mim, em Kaboom o diretor confirma a suspeita de que provavelmente é o diretor mais irregular do planeta, se levarmos em consideração o excelente Mistérios da Carne de 2004 também de sua autoria.

sábado, 25 de setembro de 2010

Festival do Rio 2010: Além da Estrada


Aqueles que são tidos como filmes de estrada (ou road movies, como batizado originalmente), caracterizam-se basicamente por poucos signos que os inserem no subgênero referido, narrando histórias que possuem um núcleo móvel. Além da Estrada, como o próprio título denuncia, pretende ser um roadie latino-americano, mas se perde em sua pretensão e em convenções deste e de uma série de outros gêneros, se agarrando em uma estética visual que se pronuncia independente, mas que não consegue disfarçar seus excessos.

Dirigido por Charly Braun, Além da Estrada se divide em uma aventura romântica que abraça o tom documental explicitamente – o que garante alguns bons momentos para o filme. Santiago, protagonista que guia o filme através de incríveis locações nos arredores do Uruguai, divide suas experiências com Juliette, a quem deu carona. Ambos vagam sem pressa ou compromisso com algo, e suas expectativas semelhantes para com a vida os aproximam.

Braun, que esteve na sessão de gala do filme no Cine Odeon, defendeu a utilização de atores desconhecidos capazes de interpretarem pessoas reais, tridimensionais. Não é o que seu filme apresenta, provavelmente pelo amadorismo de sua dupla de protagonistas – Esteban Feune de Colombi e Jill Mulleady. A participação de sua irmã no filme, a atriz (aqui também produtora) Guilhermina Guinle, não faz muito para contribuir com essa imagem indie que o diretor tenta passar.

Mesmo com o belo trabalho de fotografia, Além da Estrada deixa a sensação de um filme vazio, dos que podem ser facilmente esquecidos após sua exibição. Não acrescenta muito ao gênero ou à própria cinematografia do Uruguai ou Brasil. Possui alguns momentos quase constrangedores, como uma participação da top Naomi Campbell, e deixa uma indagação sem resposta: como pode um filme falado inteiramente em inglês e espanhol abrir a Première Brasil do Festival do Rio 2010?