Breve entrevista realizada por Jason Anderson (Eye Weekly), em 20 de janeiro de 2011.Tradução de Conrado Heoli, para o The Tramps.
Com cinco anos de produção, Incêndios reúne um dos mais laureados cineastas canadenses com aquela que talvez seja a peça mais reverenciada recentemente. Primeiramente montado em 2005, Incêndios, de Wajdi Mouawad, apresenta a história de dois irmãos que buscam a verdade sobre o passado de sua mãe no Líbano, assim como a identidade de seu pai. Íntimo e mítico em suas reviravoltas, o tom da peça não era fácil de ser replicado no cinema. Ainda assim, Denis Villeneuve – que venceu com seus dois últimos filmes, Maelstrom (2000) e Polytechnique (2009), os prêmios de Melhor Filme no festival canadense Genie, dentre outras láureas – encontra uma poderosa (e amplamente silenciosa) leitura visual para o texto de Mouawad. O diretor de 43 anos falou com a Eye Weekly quando Incêndios teve sua première no TIFF (festival de cinema canadense).
Eye Weekly: O que foi tão excitante no desafio de adaptar Incêndios após a primeira vez que você viu a peça de Wajdi Mouawad?
Denis Villeneuve: Eu estava totalmente impressionado por sua habilidade em lidar com a intimidade, a política e a mitologia ao mesmo tempo. Foi por isso que instantaneamente eu me apaixonei pela peça. Eu não estava vendo e pensando “talvez eu transforme isto em um filme”. Depois de Marlstrom, eu parei de fazer filmes por um tempo. Eu disse a mim mesmo, “algo me atingirá”. Eu não queria fazer filmes apenas pelo objetivo de fazer filmes – eu amo muito o cinema para fazer isso. A relação de amor deve ser mais intensa. E eu investi cinco anos acordando todas as manhãs e pensando em Incêndios – era puramente uma droga para mim. Agora é como se eu tivesse usado metadona, pois eu preciso encontrar algo que me fará tão feliz quanto Incêndios.
Eye Weekly: Por que você acha que foram necessários assuntos tão fortes quanto aqueles de Polytechnique (o filme de Villeneuve é sobre o massacre de estudantes mulheres na Universidade de Montreal, em 1989) e de Incêndios para fazer com que você filmasse novamente?
Denis Villeneuve: Polytechnique e Incêndios foram os primeiros projetos que enquanto eu fazia acreditava profundamente que estava fazendo a coisa certa e sem outras escolhas. De certa forma, você não escolhe um projeto – é o projeto que escolhe você. E foi muito estranho sentir aquele misto de serenidade e força. Eu não acho que conseguiria fazer cinema sem me sentir assim. A diferença foi que, com Polytechnique, eu estava correndo para terminar, pois tudo era muito doloroso e eu não conseguiria viver mais com aquilo. Mas eu fiquei muito triste por terminar Incêndios.
Eye Weekly: Outra elogiosa particularidade e qualidade de Incêndios é o quão quieto e sem palavras ele é – o que é especialmente fora do comum para a adaptação de uma peça.
Denis Villeneuve: Minha meta era fazer um filme silencioso, mas é muito caro! Para fazer isso, eu precisei do presente da total liberdade e Wajdi me deu a carta branca. Ele ainda me deu algumas dicas – me apresentou algumas fotografias, alguns filmes e poemas. Mas ele também disse, quando me deu os direitos, “você é totalmente livre, pode fazer o que quiser. Você está sozinho nisso, você irá sofrer... Então tchau!” (risos). Este foi o presente artístico mais belo que eu jamais recebi e, por isso, serei eternamente amigo dele.
Com cinco anos de produção, Incêndios reúne um dos mais laureados cineastas canadenses com aquela que talvez seja a peça mais reverenciada recentemente. Primeiramente montado em 2005, Incêndios, de Wajdi Mouawad, apresenta a história de dois irmãos que buscam a verdade sobre o passado de sua mãe no Líbano, assim como a identidade de seu pai. Íntimo e mítico em suas reviravoltas, o tom da peça não era fácil de ser replicado no cinema. Ainda assim, Denis Villeneuve – que venceu com seus dois últimos filmes, Maelstrom (2000) e Polytechnique (2009), os prêmios de Melhor Filme no festival canadense Genie, dentre outras láureas – encontra uma poderosa (e amplamente silenciosa) leitura visual para o texto de Mouawad. O diretor de 43 anos falou com a Eye Weekly quando Incêndios teve sua première no TIFF (festival de cinema canadense).Eye Weekly: O que foi tão excitante no desafio de adaptar Incêndios após a primeira vez que você viu a peça de Wajdi Mouawad?
Denis Villeneuve: Eu estava totalmente impressionado por sua habilidade em lidar com a intimidade, a política e a mitologia ao mesmo tempo. Foi por isso que instantaneamente eu me apaixonei pela peça. Eu não estava vendo e pensando “talvez eu transforme isto em um filme”. Depois de Marlstrom, eu parei de fazer filmes por um tempo. Eu disse a mim mesmo, “algo me atingirá”. Eu não queria fazer filmes apenas pelo objetivo de fazer filmes – eu amo muito o cinema para fazer isso. A relação de amor deve ser mais intensa. E eu investi cinco anos acordando todas as manhãs e pensando em Incêndios – era puramente uma droga para mim. Agora é como se eu tivesse usado metadona, pois eu preciso encontrar algo que me fará tão feliz quanto Incêndios.
Eye Weekly: Por que você acha que foram necessários assuntos tão fortes quanto aqueles de Polytechnique (o filme de Villeneuve é sobre o massacre de estudantes mulheres na Universidade de Montreal, em 1989) e de Incêndios para fazer com que você filmasse novamente?Denis Villeneuve: Polytechnique e Incêndios foram os primeiros projetos que enquanto eu fazia acreditava profundamente que estava fazendo a coisa certa e sem outras escolhas. De certa forma, você não escolhe um projeto – é o projeto que escolhe você. E foi muito estranho sentir aquele misto de serenidade e força. Eu não acho que conseguiria fazer cinema sem me sentir assim. A diferença foi que, com Polytechnique, eu estava correndo para terminar, pois tudo era muito doloroso e eu não conseguiria viver mais com aquilo. Mas eu fiquei muito triste por terminar Incêndios.
Eye Weekly: Outra elogiosa particularidade e qualidade de Incêndios é o quão quieto e sem palavras ele é – o que é especialmente fora do comum para a adaptação de uma peça.
Denis Villeneuve: Minha meta era fazer um filme silencioso, mas é muito caro! Para fazer isso, eu precisei do presente da total liberdade e Wajdi me deu a carta branca. Ele ainda me deu algumas dicas – me apresentou algumas fotografias, alguns filmes e poemas. Mas ele também disse, quando me deu os direitos, “você é totalmente livre, pode fazer o que quiser. Você está sozinho nisso, você irá sofrer... Então tchau!” (risos). Este foi o presente artístico mais belo que eu jamais recebi e, por isso, serei eternamente amigo dele.
Em tempo: Incêndios será exibido na Sala de Cinema Ulysses Geremia na próxima quinta-feira, dia 31, como parte da programação do 7º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional. Confira a programação completa no blog da sala.














