Morar no interior é bom, tem a calmaria, a praticidade do deslocamento, alguns locais em que ainda se pode ver o verde natural, entre outras tantas particularidades que fazem das cidades menos atrolhadas, boa opção quando buscamos qualidade de vida. Eu gosto e, mesmo tentado pelos grandes centros, não me imagino transitando cotidianamente numa selva de pedra, cheia de congestionamentos e dificuldades mil. Enfim, questão de preferências e prioridades. Caxias do Sul, onde moro, está em franca expansão, o que a coloca num meio termo interessante entre a grande e a pequena cidade. Mas tem horas que dá uma inveja dos que residem nas capitais, principalmente no que diz respeito à questão cinematográfica.
Quando leio notícias das grandes mostras, retrospectivas e ciclos, palestras e cursos, que ocorrem em São Paulo e Rio de Janeiro, para ficar apenas com os exemplos mais significativos, me sinto um Jeca Tatu cercado de atraso por todos os lados. Imaginem se algum dia cogitou-se trazer ao interior gaúcho a mostra mastodôntica de John Ford, que foi vista recentemente nas duas cidades supracitadas, ou mesmo a retrospectiva completa de Alfred Hitchcock que no momento toma de assalto o Centro Cultural Banco do Brasil, na terra dos cariocas.
Aqui, quando ocorrem iniciativas como a recente Mostra 1959 – o Ano Mágico do Cinema Francês, o público acaba não fazendo sua parte, o que certamente é um dos fatores que inviabilizam novas e mais ousadas ações deste tipo. Certo, eu sei, não há como comparar o interior com as grandes capitais, muito mais populosas e diversificadas, portanto aptas a programações mais setorizadas. Não vou também ficar resmungando, não é de meu feitio, até por que sou daquela opinião “resmunga e não faz nada para (se) mudar? Melhor calar a boca”. Mas custava um milagre vir de onde quer que venha, e sermos nós, simples camponeses de interior (pausa dramática), contemplados com uma programação cinematográfica e cultural mais diversa? Afinal, a gente não quer só comida.








