Porventura do Dia dos Namorados, resolvemos indicar filmes alusivos à data, mas não aqueles exatamente para ver juntinho com seu amor (porém que servem também para isto, é bom que se diga). O intento é, pelo pretexto da celebração dos enamorados, apontar filmes que versem prioritariamente sobre o sentimento multifacetado e poderoso que, em tese, é a força motriz do namoro: o amor.
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Indicação de Conrado Heoli: Blue Valentine
Derek Cianfrance compreende o amor. Longe do ideário com o qual o sentimento é visto, o amor do senso comum, Cianfrance pinta a história de um casal em tons azuis, frios e realistas em “Blue Valentine”. O drama, que estreia com o inadequado título “Namorados Para Sempre” no inadequado fim de semana do dia dos namorados, é contraindicado para o casal que procura ver impressa em película a plenitude que espera ter em seu relacionamento. Dean e Cindy, interpretados maravilhosamente por Ryan Gosling e Michelle Williams, são vistos em dois espaços de tempo de uma narrativa não-linear: quando passam a se envolver e quando o casamento de ambos parece se esfacelar.
Não há em “Blue Valentine” a velha fórmula que transformou o gênero romance em programa para mulheres – como a própria indústria classifica. Numa estética que prioriza a verdade frente à filtros, luzes e outros artifícios que glamurizam atores e cenários, Cianfrance desenvolve seu filme com o propósito de mostrar o amor como ele é. Não digo que o amor ideal não exista ou que o “felizes para sempre” seja impossível, mas em tempos onde tais ditas verdades são vendidas – e compradas – aos montes, através de uma infinidade de produções banais, prefiro ficar com a verdade de “Blue Valentine”.
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Indicação de Marcelo Müller: Amor à Flor da Pele

São poucos os filmes que conseguem, com tanta beleza poética, traduzir o sufocamento do amor, o represar de um sentimento tão intenso que, mesmo não cabendo mais em seu nascedouro, teima em não se consumar.
Primeiro a culpa dos que se julgam traídos, depois o afeto infiltrado pelas vielas da dor, e temos uma das mais belas histórias de amor que o cinema já mostrou. É romântico ao seu modo e sutilmente doloroso, uma obra-prima na qual os olhares falam mais que as bocas ansiosas uma pela outra.
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Indicação de Rafael Müller: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
Raiva, não aquela costumeira movida pelas engrenagens do ódio. Raiva de amor. Por sua vez, também serve de combustível ao ímpeto que transcende a razão, movendo o corpo e a mente a um local obscuro, talvez de acesso sempre disponível, todavia nunca efetivo. Lembrança boa, ruim, indiferente. A ignorância em certas oportunidades veste manto sagrado. O que tem mais valia, uma lembrança que por motivo específico nos incomoda, mesmo não tendo conhecimento de sua motivação, ou a completa e solitária indiferença? E os momentos que valeram à pena? Afinal, tal degrade sentimental não auxilia na formação do que somos hoje e do que seremos amanhã? Pois é, o ímpeto, movido pela raiva, que é extraída de nosso ser pelo ódio, irmão de mesmo pai e mãe do amor, opera, não milagres, ações e reações do tipo obscuro.
Nada mais belo do que o apego pela lembrança há pouco destinada ao abismo do esquecimento. Porque com ela, vão-se os sentimentos, esses nossos velhos amigos, conselheiros e nossos combustíveis vitais.