segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: O Americano


O AMERICANO
Título Original: Americano
De: Mathieu Demy
França, 2011.

Filho dos cineastas Agnès Varda e Jacques Demy, Mathieu Demy estreia como diretor neste longa, em que também atua no papel principal. Além de todos os predicados, o elenco de peso formado por: Geraldine Chaplin, Chiara Mastroianni, Salma Hayek e Carlos Bardem (irmão de Javier Bardem) tornam "O Americano" ainda mais potente e interessante.

O filme se inicia em Paris, onde Martin (M. Demy) mora com sua namorada Claire (C. Mastroianni) e estão passando por uma crise na relação, quando ele recebe a notícia de que sua mãe havia morrido. Abalado, Martin parte para Los Angeles, onde viveu parte de sua infância, para cuidar de questões da herança. Chegando lá, ele se desfaz de pertences e quinquilharias e se depara com uma foto que o faz lembrar de Lola, menina mexicana de quem sua mãe gostava muito. Na falta de informações a respeito de sua mãe e também de explicações que o convencesse dos fatos, Martin vai à Tijuana atrás de Lola, na esperança de obter verdades acerca de seu próprio passado. Martin terá que lidar com as lembranças de sua infância para conseguir aceitar a morte de sua mãe.

Incrivelmente bem ambientado e dirigido, "O Americano" nos leva a uma viagem literal passando de uma Los Angeles frívola e asséptica à Tijuana mundana e perigosa. O personagem vivido por M. Demy nos passa um desamparo genuíno e fixação num passado desconhecido e nunca concretizado em suas memórias. Destaque para Salma Hayek que, além da beleza e exuberância, nos faz crer que quando bem dirigida, e promete maravilhas. O mesmo para Carlos Bardem que está excelente. Caprichado, este longa do mais novo diretor Mathieu Demy! O final é lindo e só confirma a eficácia do filme.


domingo, 9 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: Um Método Perigoso



UM MÉTODO PERIGOSO
Título Original: A Dangerous Method
De: David Cronenberg
Alemanha/Reino Unido/Suíça, 2011.

Esta sessão foi a (minha) "estreia" no Festival do Rio, parece que o evento só começou agora, e em grande estilo. Por ter sido no Odeon e em cima, graças a amiga Bianca que insistiu nessa grande ideia, pois ver Cronenberg de cima é tudo de bom. Sem contar que assistir a filmes na companhia de pessoas queridas, que se interessam por cinema, e depois ainda topam falar sobre, trocar ideias é muito bom. Uma fila enorme surgia no Odeon antes das 19h e com ela a expectativa do filme que estava por vir.

"Um Método Perigoso" se passa em Viena, às vésperas da 1ª Guerra Mundial e se baseia na gênese da psicanálise para desenvolver a trama principal. Carl Jung (interpretado brilhantemente por, ninguém mais ninguém menos, que Michael Fassbender) atende seus pacientes à partir dos ensinamentos de seu mentor, o psicanalista Sigmund Freud, vivido por Viggo Mortensen (que também é um show à parte). Ambos conhecem a jovem Sabina Spielrein (Keira Knightley), doente e perturbada pelo passado, e logo ficam atraídos, cada um a seu modo por ela. Com o tratamento que se inicia, Jung se aproxima de Sabina e tem um caso com a moça. O terapeuta começa a se questionar sobre os efeitos e as consequências desse caso e também se vê perturbado pelas falas de seu mestre Freud. Os dois passam a discordar e a rumar para caminhos diferentes, chegando a romper a amizade e a cumplicidade de ideais.

David Cronenberg nunca deixou de ser lembrado por suas bizarrices, seus absurdos, mas, sobretudo pelo seu talento em dirigir ótimos filmes e roteirizar muitos destes. Lembrando rapidamente: "Crash, Estranhos Prazeres", "Gêmeos, Mórbida Semelhança", "EXistenZ", "Senhores do Crime". Mais uma vez fico encantada, mas agora principalmente por constatar sua versatilidade e capacidade de se adequar a um contexto completamente diferente do que de costume. "Um Método Perigoso" que tem o roteiro assinado pelo dramaturgo Christopher Hampton, com base numa peça de sua autoria chamada "The Talking Cure", que por sua vez teve elementos autobiográficos do livro "A Most Dangerous Method" de John Kerr, teve a sorte de ser dirigido por David Cronenberg e por sua fidelidade a proposta que com certeza, foi alvo de seu interesse. Sutileza e delicadeza não são definitivamente a marca registrada de Cronenberg. O diretor canadense quase sempre escolhe o pathos, o caos físico e mental e os limites destes para criar seu cinema absolutamente autoral e libertário, onde o corpo é laboratório de suas experimentações cinematográficas.

Neste seu novo filme, diferente dos demais, Cronenberg adapta com competência e nos transmite de forma fidedigna a atmosfera Vienense da época, o "duelo" (com classe e consistência) de dois Titãs, que no fundo se complementavam, ao menos até certa época. E é capaz de transformar Viggo Mortensen num senhor, com um andar próprio, um olhar firme, gestos característicos do pai da psicanálise. Inclusive essa "parceria"  de Cronenberg e Viggo M. deu muito certo. O mesmo ocorre com Jung, muito bem representado pelo fantástico Michael Fassbender. Cronenberg, além de todos os predicados já mencionados, é fera na arte de dirigir atores e captar cada expressão, cada movimento, extrair dos mesmos o seu melhor. Não posso esquecer de citar Vincent Cassel que vive Otto Gross, paciente de Jung. Interpreta muito bem também. Preciso admitir que tenho certa implicância com a atriz Keira Knightley e me perguntei várias vezes porque ela foi escalada para interpretar alguém de tanto destaque, mas nada é perfeito (risos). No entanto, ela está bem, cumpre o seu papel, não faz feio não. Em alguns momentos achei ela excessiva, cliché, mas precisava, talvez não tivesse outra forma de retratar a histeria da época. Detalhe para a ambientação: absolutamente perfeita. Um verdadeiro colírio aquela fotografia e locações.

Sou suspeita em todos os sentidos para comentar aqui , sobre "Um Método Perigoso", pois o contexto favoreceu: direção, o cinema e a companhia, além da temática. Mas posso assegurar de que valeu muito à pena, e que um prêmio como Oscar, por exemplo, caberia aos dois atores tranquilamente. Que venha mais Cronenberg por aí!


sábado, 8 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: Contágio


CONTÁGIO
Título Original: Contagion
De: Steven Soderbergh
EUA/ Emirados Árabes Unidos, 2011.

Uma epidemia provocada por um vírus letal que se espalha rapidamente pelo mundo marca o início da "maratona" de Soderbergh. Beth (G.Paltrow) volta aos EUA depois de uma viagem para Hong Kong e se sente muito mal. Ela acredita que está cansada apenas, mas na verdade não sabe que foi contaminada pelo vírus letal. Após sua morte, várias outras se sucedem, dando início a uma verdadeira epidemia global.

Pelo que percebi, "Contágio" pegou os cinéfilos pelo pé e encabeçou as bilheterias nos EUA. Fico pensando que, de fato, com um elenco desses e com S. Soderbergh ("O Informante","Che","Traffic", "Sexo, Mentiras e Videotape") à frente, fica difícil resistir a tentação, ao menos para os apaixonados pela 7ª arte. O que não entendo é a forçada de barra para tornar "Contágio" algo quase cult, e não assumir o cinemão-pipoca que é. Nada contra, muito pelo contrário, adoro filmes chamados pipoca, mas confunde e embola o meio de campo quando se faz um filme com todos os recursos, com um elenco de primeira e não se aproveita nem metade do que se tem. Uma lástima! Em momento algum Soderbergh aprofunda os diálogos, as relações, e investe maciçamente naquele ritmo típico de alguns filmes seus e na temática: epidemia (explicações biológicas, científicas e médicas). O problema é que este ritmo quase cadenciado acaba cansando por se repetir o tempo todo, fazendo com que não haja diferença entre a cena muitíssimo bem dirigida dos atores em destaque e a cena não tão importante. Pode parecer paradoxal falar, mas "Contágio" é impecável. Tudo em cima, tudo ok: direção, atores, fotografia, trilha (ótima), roteiro, mas, inacreditavelmente, o ritmo impresso em "Contágio" tira bocejos da plateia.


Festival do Rio 2011: A Valsa das Flores


A VALSA DAS FLORES 
Título Original: Ryabinoviy vals 
De: Alyona Semenova e Aleksandr Smirnov 
Rússia, 2010. 

Inspirado em fatos, "A Valsa das Flores" se passa na Rússia depois da 2ª Guerra Mundial e narra a passagem de muitas jovens de 16 e 18 anos que eram enviadas aos campos minados no norte do país, para limpar a área deixada pelos nazistas. Duas jovens protagonizam essa história triste, real com muita propriedade. São elas: Marusya que é uma artista promissora, ligada à música e Polina que é uma jovem viúva aprendendo a lidar com a falta do marido. 

Em meio a um cotidiano árduo, arriscado e sem muita esperança, essas duas jovens e o tenente de quem elas recebem ordens dão um show de atuação e passam muita emoção em vários momentos. O que mais comove, além da narrativa que nos faz lembrar o tempo todo que o roteiro foi baseado em fatos, é a falta de expectativa destas jovens que passam uma vida a "desarmar bombas" e precisam "bailar ao som da valsa das flores" para sobreviverem. Provavelmente, é um filme que vai demorar a chegar até ao nosso circuito. Ótima surpresa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: Apresentação


Ontem, quinta-feira, dia 06, começou o Festival do Rio 2011, com aproximadamente 428 títulos de 60 países. O evento, que foi aberto por "A Pele que Habito" de Pedro Almodòvar, vai até o dia 20 de outubro prometendo boas surpresas também de diretores consagrados como: "Inquietos" de Gus Van Sant, "Dark Horse" de Todd Solondz, além do tão esperado pelos cinéfilos "George Harrison –Living in a Material World" de M. Scorsese. "A Dangerous Method" de D. Cronenberg e "We Need to Talk About Kevin" de Lynne Ramsay, também causam grande expectativa.

"Árvore do Amor" de Shanzha Shu Zhi Lian, "O Pior dos Pecados" de Rowan Joffe e "Um Outro Silêncio" de Santiago Amigorena, parecem bastante concorridos. Na esfera nacional, os aparentemente mais aguardados são: "O Palhaço" de Selton Mello,"Histórias que só Existem Quando Lembradas" de Julia Murat e "Girimunho" de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina. 

São ao todo 18 Mostras diferentes, para todos os gostos. Debates, sessões e eventos especiais contarão com a presença de personalidades do cinema: os diretores Abel Ferrara e Patrício Guzmàn e os atores Marisa Paredes e Willem Dafoe. Teremos também as retrospectivas. Esse ano os homenageados são: Bélla Tarr, Dario Argento e Patrício Guzman.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011


Com a exibição para convidados do mais recente longa-metragem de Pedro Almodóvar, A Pele que Habito, inicia hoje o Festival do Rio, maratona que coloca a capital fluminense no centro do roteiro cinéfilo até o próximo dia 20. Serão mais de 400 filmes, agrupados em mostras, retrospectivas e programações especiais de homenagem. Pelo terceiro ano consecutivo, nossa querida amiga carioca, Ana Carolina Grether, será correspondente do The Tramps. Aproveitamos para agradecê-la por mais esta colaboração, e lhe desejamos excelentes sessões, em breve partilhadas conosco aqui nas páginas do blog.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dias de Godard

Mês passado, o Cine Bancários de Porto Alegre oportunizou a realização do curso Poesia e Ensaio na Obra de Jean-Luc Godard, ministrado por Mário Alves Coutinho. Godard, 80 anos, continua filmando e regularmente surpreende críticos e cinéfilos com seus questionamentos filosófico-existenciais impressos em película. No ano passado, em Cannes, seu Film Socialisme deixou um sorriso no rosto daqueles que permanecem admirando o cineasta eternizado pela Nouvelle Vague.

O projeto Cinéfilus, coordenado pela professora Ivana Almeida na Universidade de Caxias do Sul, promove a partir de amanhã um ciclo com filmes essenciais de Jean-Luc Godard. Além da excelente notícia dos filmes selecionados, vale frisar que as sessões são gratuitas e ocorrem na ótima Sala Florense, no Bloco M da UCS. Confira abaixo a programação do ciclo "Grandes Diretores", que acontecerá todas as terças-feiras de outubro a partir das 19h30min.

Dia 04 - Acossado (1959)
Dia 11 - Viver a Vida (1962)
Dia 18 - O Desprezo (1963)
Dia 25 - Alphaville (1965)

Horário: 19h30min
Local: Sala Florense – Bloco M
Entrada franca

O The Tramps estará in loco conferindo esta excelente iniciativa para deleite dos cinéfilos locais. Assista uma entrevista de Godard na época de lançamento de "O Desprezo":