Acordo às 6h25min. Levanto às 6h31min. Troco de roupa, vou ao banheiro, tomo meu café, volto ao banheiro, escovo os dentes e saio, por volta das 7h15min. Já na rua, caminho solitário em meio a pensamentos distintos, que vão daqui até ali, sem rumo certo, orientados pela aleatoriedade. Apesar de completar quase 1 hora do despertar, resquícios daqueles momentos na cama tornam meus movimentos mecanizados, devido ao hábito. A mente? Bom, segue em ritmo lento e sem direção certa. Contudo, algo acontece. Sempre, algo acontece. E nem sempre é bom.
Tchutchucas, popozudas, turbinadas, devassas, enfim, um exército de baixarias ataca meus tímpanos, estes soldados rasos pouco preparados a inimigos tão violentos e inescrupulosos. A artilharia se concentra num veículo com equipamento de som até o limite do espaço antes destinado a malas. Ou, mesmo, arautos do absurdo que empunham celulares sem fones.
Tenho consciência do quanto se debate o assunto funk. Não posso me calar. Todo o dia é a mesma coisa. Qualquer hora. Qualquer lugar. O funk que menciono neste pequeno texto se refere a veia carioca, a qual tem se alastrado de forma semelhante as piores bactérias. Não aceito o argumento de que é “entretenimento”. É triste reduzir a arte a apenas entretenimento, assim como o fazem no cinema e literatura, por exemplo, porém tenho minhas dúvidas se a diversão necessita negar a razão.
As mulheres são as maiores vítimas e propagadoras. Vítimas porque as letras paupérrimas se baseiam na sexualidade e, antes, vulgaridade da fêmea, a tratando unicamente enquanto meio de prazer masculino. Propagadoras, se analisarmos as “belas” dançarinas, embaladas pelo hino à submissão, onde o musical ganha contornos visuais. Isso certamente serve como chamariz a muitos. Infelizmente.
A imbecilidade humana não tem limite, nem idade ou classe social. Questiono-me seguidamente o que motiva alguém a consumir e espalhar lixo pelo ar. “Ah, é que a globalização torna as coisas mais rápidas, não temos mais tempo livre para descansar a mente, sem espaço à reflexão”. Que balela. Caso esta afirmação seja verídica, que a globalização nos engula e que não haja mais nada a fazer, além de acordar, levantar, sair de casa, trabalhar e voltar. Um círculo vicioso monótono, sem vida, e que ao menos não desafia a nossa inteligência.
Até mais.
PS: Eis um exemplar caxiense (¬¬³):






