quarta-feira, 19 de setembro de 2012

The Tramps Entrevista: Marcelo Oliveira da Silva



Marcelo Oliveira da Silva é jornalista formado na UFRGS, mestre em Ciência da Mídia pela Technische Universitaet Berlin, e doutorando em cinema pela Freie Universitaet Berlin. Lecionou comunicação na TU-Berlim, UFRGS e PUC-RS. Foi repórter de cultura e vice-editor de política internacional no jornal Zero Hora e colaborador internacional por vários anos do Grupo RBS, Canal Multishow (TV Globo) e Deutsche Welle TV, com os quais ainda colabora desde a capital gaúcha. Mantém coluna mensal de cinema no jornal cultural Usina do Porto. É coordenador de comunicação da Secretaria da Cultura de Porto Alegre. 

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• Como nasceu em você a paixão pelo cinema?
Eu morava no centro de Porto Alegre, onde se concentravam os cinemas, e devia ter uns 9 anos quando ganhei 'permissão' pra ver filmes sozinho. Um tio que era gerente de uma grande rede de distribuição da cidade encheu o saco de me ver todo dia pedindo ingressos na sala dele e me deu uma "permanente", como chamavam aquelas credenciais. A partir daí, comecei a ir quase todo dia. Como conhecia todos os porteiros, também me deixavam entrar em filmes adultos  - em geral de terror ou suspense, que nos de sexo não tinha jeito. Pra isso eu ficava pela loja de balas até que todo mundo entrasse e sentasse. E precisava ser o primeiro a sair também, pra não ser visto e comprometer os porteiros. Depois acabaram as permanentes para quem não era crítico, mas daí já era vício e eu às vezes assistia dois filmes por dia. Comecei a escrever sobre cinema nos jornais de colégio.

• Qual é o sentido de ser crítico nos dias de hoje?
Acho que é sobretudo recomendar boas obras, agindo de duas maneiras: em primeiro lugar ajudando na divulgação não comercial e em segundo lugar ajudando o leitor a compreender obras que exigem um olhar mais treinado na linguagem fílmica, uma observação mais experiente desse negócio fabuloso e eventualmente complexo que é contar histórias. Se adivinho uma segunda intenção nessa sua pergunta, adianto que concordo: a crítica está morrendo. Dos anos 90 pra cá (mais ou menos a mesma época em que o cinema passou a ser a maior indústria dos Estados Unidos) a quase totalidade dos críticos em todo os países relativamente industrializados se tornou uma parte do sistema de divulgação das superprodutoras de cinema. Falei no início em recomendar boas obras porque há tempo não há mais espaço nem tempo para se tratar de filmes que por um bom motivo merecem uma crítica negativa. Quem trabalha num grande jornal, rádio ou tevê, arrisca o emprego se falar mal de um filme que tenha investido bastante em publicidade naquele veículo.

• Qual sua posição frente a nova crítica de cinema, que germinou na era dos blogs e das revistas virtuais?
Elas são a salvação! O que sobra de crítica livre está na internet ou nas poucas publicações alternativas. Na grande imprensa é difícil até para o críticos experientes evitar de falar de um determinado filme que considerem ruim ou demasiado comercial. E como já vamos pra mais de duas décadas sob esse sistema (que resumi na pergunta anterior), noto que grande parte dos críticos inteligentes ativos na grande imprensa está se tornando complacente demais. Há muita bobagem (e não falo daqueles filmes que ocupam dez ou mais cinemas simultaneamente - com esses eu jamais perco meu tempo) de grande estúdio com três e quatro estrelas por aí e também há muito filme independente subvalorizado ou nem sequer visto e avaliado. Imagina entre quem começou a criticar ontem na grande imprensa e não conheceu outro esquema. Não culpo esses profissionais. Acho essa coisa toda inevitável no grande circuito. Quanto ao conteúdo dos blogs e revistas virtuais: do mesmo jeito que é necessário escolher um bom jornal ou programa e um bom crítico em quem confiar, também é preciso desenvolver essa relação de confiança com os bons blogs e boas revistas virtuais. Quanto mais estrada tiver o esquema virtual, melhor vai ficar esse conteúdo.

• Como vê o academicismo de certas linhas de pensamento na crítica cultural? Acredita que a dissecação de um filme, tornando a análise o mais objetiva possível, tende a enfraquecer a importância da análise subjetiva?
Depende de como se compreende "academicismo" aqui. Se com academicismo você quer dizer o uso de jargões, o refúgio de sujeitos que deram um duro enorme pra serem doutores e depois pararam de pensar pra ficar no conforto das citações doutas e estéreis, feito concurseiros que viram maus funcionários públicos e só cumprem horário na repartição até a chegada do contracheque, então eu concordo com o que você quiser. Porém, se o doutor usa aquela experiência de ler ao menos duas centenas de livros teóricos (doutorar-se devia requerer isso) pra tornar seu próprio pensamento mais claro e certamente menos ingênuo, mais cultivado, então pode ser uma delícia. Já com essa aparente divisão entre análise objetiva e subjetiva, eu discordo que isso esteja relacionado à experiência acadêmica. Isso vem do caráter e da maturidade de quem analisa. Tem doutor subjetivo demais (e a quem interessa a subjetividade de alguém?) e tem autodidata que poderia dar aula de como se ver um filme.

• Quais são seus críticos de cinema favoritos? Os de outrora, que influenciaram ou ainda influenciam seu trabalho, e os de agora, que acredita sustentarem com talento a causa da crítica de cinema.
De outrora: Vsevolod Pudovkin, Sergei Eisenstein, Bela Balazs (sobretudo), André Basin, James Monaco e Eno Patalas. Ainda hoje: Wolfram Schütte, Jean Claude Bernadet e José Carlos Avellar. Gosto do estilo de Pauline Kael, mas acho os críticos norte-americanos ótimos em casa, mas em geral fracos na hora de decifrar contextos estrangeiros. Acho que isso está melhorando.

• É célebre a história de Antonio Moniz Vianna parou de escrever quando da morte de seu maior ídolo, John Ford, pois acreditava que nada tinha mais a acrescentar como pensador diante da crise criativa contemporânea. Qual diretor cuja morte já lhe provocou semelhante desalento?
Acho que as pessoas param de escrever sobretudo por motivos internos e hesito em falar de crise criativa contemporânea, porque todas as épocas já se disseram em crise criativa. Se tivesse sido verdade, olhando pra trás enxergaríamos apenas crises... Não foi assim. Sobre desalento com mortes de meus prediletos: Charlie Chaplin, mas eu era demasiado menino ainda. E Stanley Kubrick que acho o mestre mais completo em seus passeios por diferentes gêneros; mas a vida sempre continua e também o cinema.

• A perda de espaço de textos críticos nos veículos impressos é sintoma da falta de interesse público, ou a busca ávida dos veículos pela adequação a tempos de pouca reflexão?
Acho que já respondi acima. Acho que o espaço pode ter se mantido, mas mudou o uso desse espaço por uma questão comercial, ligada à necessidade mais forte de vender anúncios pra se sobreviver num modelo de negócios como temos hoje, em que a venda em si representa ainda menos que anteriormente. Também vejo mais competição com espaços que não existiam antes, e isso certamente acrescentou possibilidades que não conhecíamos. Não sei se os tempos são de menos reflexão. O tempo e a maneira de refletir mudou certamente. Mais gente que não refletia passou a ler. Note que os mendigos em nossa cidade hoje são alfabetizados e reagem de outra maneira, menos passivos, mais articulados. O pai de família de hoje talvez tenha menos tempo pra ler o jornal e pensar na vida do que o meu teve - a siesta definitivamente acabou... Por outro lado, tanto o pai de família atual como o mendigo estão melhor informados. E informação é algo vital pra reflexão. Em resumo, acho que há um deslocamento daquele suporte impresso pra outro suporte, digital.

• Discutir "comércio versus arte" ainda é válido quando percebemos qualquer cinematografia?
Tanto o sucesso comercial quanto o artístico influenciam sociedades. Aliás, a forma como se dá essa influência define essas sociedades. Há quem tenha tirado o melhor proveito de uma e de outra e se mantido em crescimento, ou pelo menos num certo nível, e há quem tenha perdido a mão e entrado em decadência. É preciso saber usar as duas variáveis.

 • Como vê o cinema brasileiro atual?
Muito melhor em relação aos anos 70 até o início dos anos 90, quando faltou primeiro liberdade e depois também dinheiro. Não se vê a explosão de talentos, que criaram pelo menos dois ou até três gêneros cinematográficos nos anos 50 e 60, mas o cinema enquanto negócio está se estruturando como jamais antes aconteceu, alguns prêmios de qualidade artística têm aparecido e as bilheterias voltaram a crescer. Na média, está bem. Talvez falte acreditar mais na capacidade de inovar, arriscar um pouco mais na linguagem, apostar um pouco mais na capacidade de o público compreender coisas novas. Nesse sentido, nosso cinema de ficção devia aprender um pouco com nossos documentaristas, que são ótimos. E por favor: chega de cena de sexo que em nada contribui pro andamento da história e de tanta ênfase na emoção à moda das novelas. 


Publicado originalmente no Papo de Cinema 

sábado, 15 de setembro de 2012

CineAnglo #01 - 13/09/2012


Ocorrida na última quinta-feira, 13, a sessão inaugural do CineAnglo foi uma das raras oportunidades caxienses de ver cinema no âmbito acadêmico, ainda com a participação da comunidade externa. O mini-auditório da Faculdade Anglo-Americano/IDEAU fez-se cenário do projeto idealizado e coordenado pelos irmãos Marcelo e Rafael Müller, que contou com a participação do ator e diretor teatral Davi Souza nessa primeira edição.

Cerca de 25 presentes conferiram as peripécias de Charles Chaplin num de seus filmes mais emblemáticos, o clássico Tempos Modernos. Após, houve bate-papo entre os coordenadores, convidado e plateia, em que foram expostas desde questões sócio-econômicas, imprescindíveis no dimensionamento da referida obra cinematográfica, até os meandros da criação artística, sejam eles relacionados à figura do vagabundo ou ao filme como um todo.

Apoiado pela ACCIRS (Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul), o CineAnglo terá periodicidade mensal. A sessão de outubro será, provavelmente, parte da semana do empreendedor, promovida pela Faculdade Anglo-Americano/IDEAU. Filme e convidado ainda não foram definidos.

Davi Souza, Marcelo Müller, Tatiana Rocha Netto
(Diretora da Faculdade Anglo/IDEAU) e Rafael Müller

Acompanhe as novidades em www.facebook.com/CineAnglo
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Faculdade Anglo-Americano/IDEAU
Rua Feijó Junior, 1049 - São Pelegrino - Caxias do Sul – RS
Fone: (54) 3536.4404

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Faculdade Anglo-Americano/IDEAU apresenta CineAnglo


A Faculdade Anglo-Americano/IDEAU, unidade Caxias do Sul, apresenta a partir do dia 13 de setembro seu novo projeto para a inserção cultural de alunos e comunidade, o CineAnglo. O intuito é reunir amantes da sétima arte, ou mesmo curiosos sobre essa que é uma das manifestações mais plurais do campo artístico, em torno de sessões e posteriores conversas sobre o visto na tela.

Idealizado pelo crítico de cinema Marcelo Müller e o publicitário Rafael Müller, o CineAnglo busca promover a cultura no ambiente acadêmico, estabelecendo, ainda, relações com o público externo, também convidado a participar. A curadoria vai trazer filmes de reconhecida importância, porém sem negligenciar obras de relevância menos evidente, estudando-os como objetos fílmicos e também enquanto peças transbordantes do cinema para o cotidiano. Haverá um convidado por noite, em debates totalmente abertos a intervenções do público, bem ao estilo bate-papo. A entrada é franca.

O CineAnglo é apoiado pela ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul), e possui valor como atividade complementar aos alunos da FaculdadeAnglo-Americano/IDEAU, mediante apresentação de comprovante disponibilizado depois das sessões.


A primeira sessão

A primeira edição do CineAnglo ocorre em 13 de setembro, quinta-feira, com a presença do ator e diretor teatral Davi Souza. O filme escolhido é Tempos Modernos, um clássico protagonizado e dirigido por Charles Chaplin.

ENTRADA FRANCA

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Algo sobre O Legado Bourne


Taxar O Legado Bourne de ruim seria exagero, pois o filme guarda uma que outra virtude expressiva, ainda mais se comparado ao cardápio semanal do nosso combalido circuito. O problema é que esquadrinhado enquanto sequência da trilogia de sucesso edificada por Doug Liman, mas, sobretudo, por Paul Greengrass e Matt Damon, ele perde pontos, pois muito aquém dos que o precederam. 

As inúmeras agências e projetos por trás de sujeitos como Jason Bourne entram em polvorosa quando suas atividades sofrem ameaça de tornarem-se públicas. O que um bom líder faz? Mata todo mundo com potencial para vazar informações, sejam cobaias ou cientistas, ambos “arquivos vivos”. Mas algo não dá certo, determinado agente escapa, levando consigo uma dessas doutoras “sabe tudo de manipulação genética”. 

Jeremy Renner até que se sai bem, tem aquele semblante pétreo e boa presença em cena. Seu personagem, porém, fica a anos luz de Jason Bourne, não por causa de uma suposta diferença de talento entre intérpretes, mas sim pela maneira como é construído. Bourne é misterioso e letal, já Aaron (defendido por Renner) é incomodamente instável (talvez pelo vício), ainda que também uma máquina de matar e safar-se. 

O envolvimento do soldado com a personagem de Rachel Weisz é pra lá de estranho, pois quase nunca tenciona a entrar na seara da atração e, mesmo assim, eles (produtores, diretor, enfim) querem que engulamos na boa o encerramento, bem parecido com alguns dos filmes 007, diga-se de passagem. As cenas de ação são “ok”, nada mais que isso.

Entre mortos e feridos, o problema maior de O Legado Bourne, parece-me, é sequenciar três filmes excelentes, porém sem a vitalidade que fez de Jason Bourne modelo até para o tradicional James Bond. Acaba como bom exemplar de conspiração perdido em engendramentos que poucas vezes atingem profundidade.

sábado, 1 de setembro de 2012

Bem Amadas


O amor, sempre ele. Entre covardes e corajosos, quem há de viver sem olhar para trás? O cineasta francês Christophe Honoré tem uma queda por amores desbragados, alheios a obstáculos comuns. Gosta também dos musicais, pois, segundo ele, a melodia ajuda a traduzir com mais fidelidade o que os personagens sentem. Em Bem Amadas, seu mais recente filme, tudo é muito colorido na observação daquilo que nasce fortuitamente entre duas pessoas. Madeleine, linda vendedora de sapatos e prostituta nas horas vagas, encontra o tcheco Jaromil durante um programa de rastros, pode-se dizer, eternos. A história deles, feita de encontros e desencontros, idas e vindas, desenrola-se entre a reprimida Tchecoslováquia e a Paris dos enamorados. A traição será estopim da separação, rompimento não suficiente para sufocar algo teimoso em sobreviver, mesmo à distância e ao novo casamento de Madeleine.

Bem Amadas move-se cronologicamente quase reto dos anos 1960 aos tempos atuais. Nestes, acompanhamos especialmente Véra, a filha do casal. A bela interpretada por Chiara Mastroianni é emblema da nossa era de carentes, perdida entre anseios e possibilidades. Sofre apaixonada por alguém que não pode corresponder-lhe, consolada pela mãe disposta à entrega e pelo pai surgido, vez ou outra, como guia (sem ranço professoral) de sua menina desorientada. As dificuldades afetivas da jovem servem para sublinhar o caráter dos relacionamentos de hoje, mais crus e cínicos.

Se em Canções de Amor (2007), outro dos musicais de Honoré, a irrealidade, própria ao gênero, contrapõe-se com muita propriedade ao naturalismo também presente, em Bem Amadas ela esfria e endurece na medida em que o filme avança, flagrada, sobretudo, pelas mudanças sonora e cromática. Desbotam-se as eras românticas, as cores se acinzentam e canções, antes fartas, ficam menos frequentes na expressão oral. É como se num segundo movimento, o de Véra, a obra trocasse a realidade estilizada por algo menos idealizado.

Há travas em Bem Amadas, problemas que, se não chegam a comprometer, tornam algumas partes deslocadas ou até descartáveis, vide a inserção sem maiores efeitos dos atentados de 11 de Setembro. Mas, no fundo, resiste a beleza às vezes solar, noutras sombria, do olhar lançado sobre o amor e suas complexidades. Honoré merece ser celebrado, entre outras coisas, pela reverência ao passado, indo além da emulação ao conjugar signos e figuras ilustres. Como é bom ver Catherine Deneuve e Milos Forman juntos em cena, dois grandiosos símbolos de um saudoso pretérito cinematográfico, assim como as músicas de Alex Beaupain, evocativas, por exemplo, das sonoridades próprias aos filmes de Jacques Demy (sem comparações, por favor). No fim, há de se exaltar os méritos adiante das fraquezas, pois Bem Amadas pode não ser definitivo, nem brilhante, mas é repleto de poesia e graça.


Publicado originalmente no Papo de Cinema

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cem Nelson Sem Rodrigues


Por Raulino Prezzi

Um dos textos mais densos do dramaturgo Nelson Rodrigues. Depois de, digamos, 25 anos, tive a oportunidade de rever O Beijo no Asfalto, dirigido em 1981 por Bruno Barreto e com um elenco, além de extremamente eclético, de linhagem onde os atores chegavam dos tablados e emprestavam seus fenótipos e talentos para a sétima arte. Reunir num mesmo set, nomes como os de Tarcísio Meira (Aprígio), Ney Latorraca (Arandir), Christiane Torloni (Selminha), Lídia Brondi (Dália), Osvaldo Loureiro, Telma Reston e até mesmo Daniel Filho, só mesmo numa época em que o cinema (sem nada de efeitos) era calcado apenas no fato de fazer qualidade. 

1981...um dos melhores momentos para mostrar Nelson colocando, como sempre, o dedo na ferida. Julgamento? Desejo? Paixão? Traição? Exposição? Ou apenas o fato de realizar um último desejo? O que falar de Arandir, um homem comum, casado, que por piedade dá um beijo na boca de um homem que morre atropelado? Esta ação causa polêmica que gera uma acusação de homossexualidade e arruína a sua vida. Por ser desconhecido. Por apenas um ato, hoje tão corriqueiro (o beijo). Por que tudo se transforma em escândalo pela imprensa sensacionalista. Enfim, essas são apenas algumas questões que pairam na cabeça de quem lê, assiste, ouve e degluta Nelson Rodigues. Ney Latorraca e Tarcísio Meira (digno de um galã da época) ecoam como uma luta masculina de interpretação. Christiane Torloni, linda em sua juventude faz a mocinha do filme, aquela que acredita piamente que o que vale na vida é o amor, nada mais que o amor. E Lídia Brondi (a mais linda ninfeta dos anos 1980) está exemplar no papel da Lolita rodriguiniana que apela quase como um anjo os anseios e desejos sexuais. Seria um ménage à trois, a quatre, cinq, six, sept...os sete pecados capitais latejando nestes corpos sub(urbanos)? 

Este é Nelson, que mexe, remexe, que atiça, que joga a primeira pedra e que principalmente levanta questões tão desejadas e, por que não dizer, excitantes que existem dentro de cada um de nós, naquele cantinho escuro, meio frio, como uma carta na manga. Tudo para fazer a magia se realizar, seja pelo toque, pelo sabor, pela malícia, pelo pulsar e até mesmo aquela pele ferida causada pela fricção e abrasão. “Amor nenhum dispensa uma gota de ácido”. Para ver e rever.
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Texto gentilmente cedido pelo ator e diretor teatral Raulino Prezzi sobre sua revisão de O Beijo no Asfalto,  filme dirigido por Bruno Barreto com base numa peça do eterno "Anjo Pornográfico" Nelson Rodrigues.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

É pra não perder


  •  A exibição, hoje (28), de O Gerente, último filme de Paulo Cezar Saraceni. No Canal Brasil, às 22h;  
  •  O dossiê/balanço riquíssimo do Festival de Gramado no blog da Abraccine
  •  A mais nova edição da revista Filme Cultura, debruçada sobre os diálogos entre cinema e teatro;