Os filmes de super-herói tomaram de assalto a indústria americana de cinema nos últimos anos. Descoberto o filão e a máquina de fazer dinheiro, toda a engrenagem que movimenta financeiramente Hollywood se ajustou para seguir a direção do gosto popular, e até editoras de quadrinhos viraram estúdios, para poderem ganhar mais dinheiro com a galinha dos ovos de ouro que tinham em mãos. Alguns dos filmes desta tipologia são muito bons, a maioria nem tanto, mas como isto não é exclusividade dos heróis, e sim uma tendência triste de falta de criatividade, não iremos utilizar este argumento para minimizar os filmes do novo gênero.
Quando surgiu, Kick-Ass - Quebrando Tudo, baseado numa HQ que virou cult onde foi publicada, foi apontado por uma parte da crítica como sendo algo de reveladora importância, como se a história, cheia de sangue e incorreção, do menino que quer virar herói mesmo que não possua poder algum, fosse um tipo de evolução, ou mesmo a prova de que tendência violenta/sombria (lembram-se do alarido em torno de Batman - O Cavaleiro das Trevas?) estaria agradando ao público mais do que os valorosos e limpinhos antigos faróis da boa conduta. A crítica, principalmente a americana, gosta de pregar umas peças, de alçar alguns cineastas ou filmes a panteões que de direito não lhes pertencem. No caso de Kick-Ass - Quebrando Tudo, a crítica exagerou, concordo, não há nada que justifique demais este alvoroço, mas que é um filme divertidíssimo, ah isto é.
Dave quer ser herói, mas não perdemos muito tempo com explicações filosóficas para a gênese desta vontade. Ele quer e pronto. Compra uma roupa na internet e sai querendo fazer a coisa certa. É claro, se arrebenta, e logo percebe que não depende só de querer, mas de poder. Em seu caminho, ele encontra pessoas que, tampouco dotadas de poderes, lutam contra o crime, só que por vingança. Entram em cena então, Big Daddy e Hit Girl, a dupla que representa um ponto que me agrada muito em Kick-Ass - Quebrando Tudo: a falta de correção. Ok, dirão os detratores, é tudo da HQ, não é original, mas pensem em mostrar na tela uma menina de 11 anos decapitado pessoas, arrancando membros, assassinando a sangue frio, e agora vislumbrem o embate destas imagens com aquelas associações carolas que vivem buscando o pomo da discórdia, e castram as criações pelo bem da “moral e dos bons costumes”. Se o filme não fosse feito com financiamento independente, e se as exibições prévias e marketing preliminar não tivessem despertado no público a vontade de vê-lo no circuito, provavelmente Kick-Ass - Quebrando Tudo nunca teria saído das páginas da história originalmente concebida por Mark Millar e John Romita Jr.
Kick-Ass - Quebrando Tudo é sangue, personagens arquetípicos, citações pop, trilha sonora inspirada (em alguns momentos, especialmente inspirada), e uma direção muito segura de Mattew Vaughn. Impagável a interpretação de Nicolas Cage (fã inveterado de quadrinhos) como Big Daddy, fazendo referência a Adam West, o ator que envergou a capa de Batman no seriado televisivo sessentista. Aliás, o elenco está ótimo, e me cobrem no futuro se Aaron Johnson não será o novo queridinho de Hollywood, enquanto a preciosidade chamada Chloë Moretz será uma das mais interessantes atrizes de sua geração.
Kick-Ass - Quebrando Tudo é o que promete: diversão, violência, que de tão absurda e recorrente vira elemento quase cômico, e uma boa dose de profundidade, se formos analisar as histórias familiares: a do homem que busca vingança, nem que para isto precise transformar a filha numa máquina de guerra, ou a do filho que faz de tudo para ficar ao lado do pai, nem para que isso precise virar um bandido. Kick-Ass - Quebrando Tudo não vai mudar os rumos do cinema, nem mesmo do gênero no qual está inserido, mas que é um entretenimento empolgante, antenado com a época em que foi realizado (atentem para a internet, quase personagem do filme) e com alguns momentos emocionantes (sim, eu derramei algumas lágrimas), não há como negar. Entretenimento sim, assumido e confesso, e por que passar o tempo, se entreter, com algumas porcarias vistas por aí, quando podemos nos envolver com uma narrativa absurdamente divertida como a de Kick-Ass - Quebrando Tudo?
Kick-Ass - Quebrando Tudo é o que promete: diversão, violência, que de tão absurda e recorrente vira elemento quase cômico, e uma boa dose de profundidade, se formos analisar as histórias familiares: a do homem que busca vingança, nem que para isto precise transformar a filha numa máquina de guerra, ou a do filho que faz de tudo para ficar ao lado do pai, nem para que isso precise virar um bandido. Kick-Ass - Quebrando Tudo não vai mudar os rumos do cinema, nem mesmo do gênero no qual está inserido, mas que é um entretenimento empolgante, antenado com a época em que foi realizado (atentem para a internet, quase personagem do filme) e com alguns momentos emocionantes (sim, eu derramei algumas lágrimas), não há como negar. Entretenimento sim, assumido e confesso, e por que passar o tempo, se entreter, com algumas porcarias vistas por aí, quando podemos nos envolver com uma narrativa absurdamente divertida como a de Kick-Ass - Quebrando Tudo?











