
Gil é um roteirista de sucesso que deseja escrever seu primeiro romance. Em Paris com a futura esposa e os pais desta, Gil se divide entre roteiros turísticos e o deslumbramento pela cidade luz, que lhe parece cada vez mais adequada ao seu novo projeto de vida. Em meio a tudo isso, numa de suas caminhadas noturnas, é capturado por um misterioso carro que o transporta para 1920 e o coloca ao lado dos maiores artistas da época.
“Meia Noite em Paris” marca o retorno de Woody Allen à sua melhor forma, sublimando os erros com algumas produções descartáveis que o diretor entregou nos últimos anos. O filme, que se enquadra no modelo de comédia afiada e inteligente que se transformou em gênero pelas mãos do diretor norte-americano, possui uma infinidade de características comuns aos melhores exemplares da filmografia do cineasta. O toque especial da vez está na multiplicidade de referências neste filme que, se fosse resumido em um único frame, certamente serviria como cartão postal à capital francesa.
Darius Khondji, diretor de fotografia dos esteticamente belíssimos “Um Beijo Roubado”, de Wong Kar-Wai e “Seven”, de David Fincher, entrega um trabalho magistral, beneficiado pela direção de arte de Anne Seibel – que recria magistralmente os diferentes períodos históricos do filme.
O elenco, afinadíssimo, justifica o desinteresse de Woody Allen em dirigir atores. Até mesmo Owen Wilson, que incorpora o arquétipo do neurótico de tantos outros filmes de Allen, não compromete a produção. Marion Cottilard está deslumbrante (o que parece cada vez mais redundante), Carla Bruni é Carla Bruni (o que basta como um grande elogio) e Léa Seydoux encanta mesmo em sua pequena participação.
Em seu tema principal, “Meia Noite em Paris” questiona se a vida cultural de hoje é melhor do que a de outrora. A resposta no filme fica evidente e mostra a inutilidade na busca da resposta, uma vez que cada período tem seu valor. É como questionar quem é melhor: Woody Allen ou Ingmar Bergman?