domingo, 21 de setembro de 2014

Doses Homeopáticas #28

Nunca tinha assistido A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Lacuna devidamente preenchida com a recente sessão em tela grande, em tese como deve ser. E que filme bonito, não exatamente por conta da mensagem final positiva, também, mas não só em virtude dela. O personagem que abdica de tudo um pouco em prol da família, dos negócios da família, da sequencia do legado do pai, das pessoas que dependem do trabalho dele, vai entender que muitas vezes nosso próprio conceito de felicidade é tão idealizado, tão pré-formatado, que não nos damos conta de já viver dias felizes. A divindade e os anjos só estão ali para explicar o absurdo que permite ao protagonista enxergar que ele era feliz e não sabia. É um filme cuja leveza e simplicidade são só aparentes, já que elas estão a serviço de uma visão dura a respeito da engrenagem social movida pela satisfação oriunda do dinheiro, ainda que a fé no indivíduo sobressaia no final.


NEBLINAS E SOMBRAS é um filme de altos e baixos. Começa muito bem com aquela ambiência soturna e propositalmente artificial (graças a um interessante jogo de luz, sombras e neblina), na qual o personagem de Woody Allen destoa dos demais, pois eles parecem de fato num filme pesado sobre assassinos em série. A subtrama (que logo vira principal) da artista de circo que se prostitui por uma noite é menos interessante, quase dispersiva. Ficamos entre as andanças às cegas de Allen e seu envolvimento meio forçado com personagens paralelos, o que acaba gerando a sensação de vermos dois filmes distintos, meio que se empurrando em busca de espaço. No fim das contas, mesmo assim, é um bom trabalho, com algumas sacadas excelentes, como as dissidências e rivalidades que surgem no grupo que está à caça do assassino. Mesmo errando aqui e ali, Woody Allen consegue momentos que fazem valer o todo.



Em O HOMEM URSO, Werner Herzog não está apenas em busca da história inusitada daquele cara que passou anos e anos de sua vida na companhia dos ursos pardos, pretensamente os defendendo do mundo hostil. Aliás, o insólito aos poucos dá espaço para uma visão que amplifica a tragédia, não apenas a tragédia da morte, mas a tragédia humana do explorador que se refugiou na selva e tentou ser ele mesmo um urso, ou seja, transmutar-se em inumano, quem sabe para sufocar seu lado obscuro. Talvez o ódio dele pela civilização nada mais fosse que ojeriza de si próprio, das contradições e complexidades da raça a qual pertencia. Foi, assim, ao encontro da simplicidade da selva, da preocupação única com a sobrevivência. Herzog faz emergir conflitos e um questionamento principal: será que, ao aproximar-se do animal, dando-lhe nomes e características humanas, ao mesmo tempo em que almejava animalizar-se, Timothy não acabou infringindo ambas as naturezas, por deixar de respeitar suas particularidades e limites? 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Caráter


Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998, Caráter, estreia em longas-metragens do cineasta holandês Mike Van Diem, é quase todo narrado na frieza de uma delegacia, onde o jovem advogado Jacob Katadreuffe (Fedja Van Huet) passa por inquérito, pois suspeito de ter matado o oficial de justiça Drevenhaven (Jan Decleir), seu próprio pai. O entorno não surge ao acaso, sobretudo se atentarmos ao desenvolvimento da trama, que se dá entre os anseios sentimentais/psicológicos dos personagens e um sistema desalmado, teimoso em lhes diminuir qualquer aspecto de humanidade. A busca do rapaz será motivada tanto por querer a atenção paterna, quanto pela angústia frente à mãe em permanente estado de torpor. No campo simbólico, ambos os genitores são partes da típica engrenagem social pós-Primeira Guerra Mundial, responsável por endurecer a natureza das pessoas.

Na condição de criança, Jacob sente falta do pai (ausente) e da mãe (presente), ao passo em que cresce num mundo mais voltado à valorização de carreiras, imprescindíveis à reconstrução da Europa, do que propriamente atento às suas necessidades afetivas. “Não precisamos dele”, diz a mulher quando indagada pelo filho a respeito do pai. Van Diem constrói pela via estética uma atmosfera bem pertinente ao seu conto calcado na burocracia dos governos e na importância cada vez mais acentuada da lei e de seus oficiais como agentes de ordenação do então caos europeu. Nesse tocante, Drevenhaven simboliza o fascismo, o poder vertical. Por sua vez, a reconstrução de época não se presta ao realismo, traz algo de fabular à trajetória de Jacob.

Adulto, Jacob vai angariar forças para peitar o pai, ao passo em que se desliga da mãe, primeiro tentando o próprio negócio, depois se afundando em estudos para virar advogado do escritório para o qual trabalha como assistente. Afrontar a autoridade paterna é questão de honra a esse rapaz possuidor de um vazio existencial relacionado ao meio convulsionado e complexo onde cresceu.  Ele não tardará a conhecer uma jovem pretendente, a ensaiar ligações afetuosas, mas sempre parecerá atraído às motivações do próprio pai, do burocrata insensível que certa vez negou sua existência num momento de necessidade. Jacob, em alguma medida, se aproximará perigosamente do destino solitário e cinzento do velho Drevenhaven, repetindo assim, e sem perceber, padrões anteriormente condenados.

Caráter é um filme seco, onde as emoções ressoam no espectador, paradoxalmente, pois escassas nos personagens petrificados pela falta de carinho. Sobreviver é primordial, nem que para isso sejam sacrificadas as ligações sentimentais. Jacob até tenta remar contra a maré, buscar o pai, resgatar a mãe da inércia, amar a colega de trabalho, mas é vencido pela máquina que buscava destruir, justo após aliar-se a ela para vencer.


Publicado originalmente no Papo de Cinema

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Doses Homeopáticas #27


Fiz às pazes com À PROVA DE MORTE, único dos filmes de Quentin Tarantino que me desagradava um pouco. Tá certo que não dá para esperar a qualidade da maioria dos trabalhos do cineasta, mas, caramba, dá para se divertir um bocado com aquelas mulheres em trajes sumários falando sobre sexo e drogas, e com a homenagem de Tarantino aos grandes filmes americanos dos anos 1970 e 1980 protagonizados por carros. A violência é gráfica – pernas sendo arrancadas, pneus esmagando cabeças – e está ali o fetiche pelo automóvel. As perseguições são muito boas, sobretudo aquela do final, que inverte o jogo do dublê maluco que caça mulheres, pois ele passa a ser vítima. Sequência, aliás, filmada sem dever nada aos cânones de Tarantino.


O PODEROSO CHEFÃO: PARTE II é uma obra-prima. Aliás, a trilogia toda – que na minha concepção forma um grande filme – figura entre o que de melhor o cinema já produziu como expressão artística. A tela grande apenas reitera e amplifica essa sensação, de estarmos diante de algo quase irrepreensível. Vemos a chegada de Vito Corleone à América e sua ascensão ao topo da máfia ítalo-americana, ao passo em que acompanhamos seu filho Michael tendo de lidar com a liderança herdada, com um destino que ele em princípio não queria para si. Coppola mostra essas duas linhas temporais para evidenciar as mudanças que não permitem a Michael ser um gângster como seu pai, à moda antiga, com relações baseadas em confiança e trocas de favores, o que acarreta uma derrocada trágica e inevitável do clã.    


Embora o crime esteja já no título UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN a gente passa um bom tempo duvidando da sua ocorrência, pensando se tudo não é apenas uma invenção da cabeça desocupada da personagem de Diane Keaton. A razão parece estar do lado do seu marido, vivido por Woody Allen, ele que acha (e nos leva a achar) absurda a ideia da vizinha recém-falecida, oficialmente em virtude de um ataque do coração, ter sido na verdade assassinada pelo marido que coleciona selos. A investigação do crime está ali meio como desculpa, pois o que realmente importa é a crise no casamento, o amigo que surge como ameaça, a artista que flerta com seu editor casado. Assim, Woody Allen homenageia os filmes de detetive, essencialmente falando sobre relacionamentos, com o humor e a perspicácia de sempre.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Mea Culpa: Silêncio na Casa de Deus


A Igreja Católica, regida pela tradição da mordaça, é constantemente acusada de acobertar casos de pedofilia envolvendo padres. Eis que o premiado cineasta Alex Gibney toma como ponto de partida a denúncia de quatro homens surdos, decididos a desmascarar Lawrence Murphy, sacerdote que abusava rotineiramente de meninos matriculados numa escola para crianças com deficiência auditiva na década de 1960, para questionar a própria culpa da Igreja. Com requintes de crueldade, Murphy escolhia os garotos cujos pais não dominavam a linguagem dos sinais, entrincheirando-os no silêncio e, assim, minimizando o risco de ser delatado. Foram décadas de impunidade avalizada pelas instâncias mais elevadas do secular poder sediado no Vaticano.

As acusações, com direito a processo judicial contra a Igreja Católica, se configuraram no primeiro grande escândalo sexual envolvendo a mais influente e poderosa das religiões. A estrutura de Mea Culpa: Silêncio na Casa de Deus é feita desde a tomada de depoimento dos envolvidos, passando pela dramatização de alguns acontecimentos capitais e chegando até ao confronto das vítimas com seu algoz, na ocasião aposentado e no gozo de benefícios ofertados pela Santa Sé. Alex Gibney expande a abordagem, tomando Lawrence Murphy como exemplo de uma prática infelizmente corriqueira, como atestam os registros internos que remontam a épocas em que a informação permanecia ainda mais encerrada nos muros dos seminários, escolas, e outros locais de educação a cargo de religiosos.

Tal investigador, o cineasta revolve histórias do passado, não raro ligadas a figuras episcopais do presente, para situar a pedofilia como uma das grandes preocupações do alto escalão da Igreja Católica, sendo, inclusive, alvo até de iniciativa que, em idos tempos, isolava padres em ilhas, pois se achava que impulsos pedófilos não poderiam ser contidos.  Em meio aos relatos, surgem questões polêmicas como o celibato, entre outros postulados discutíveis do catolicismo. As vítimas discorrem sobre os traumas, as artimanhas de líderes que aproveitavam sua respeitabilidade junto à comunidade e certa aura quase inumana (a partir da ordenação, padres são vistos quase como anjos) para dar vazão aos desejos de exploração da inocência alheia.

Mea Culpa: Silêncio na Casa de Deus mostra vocação política ao mostrar a Igreja Católica enquanto instituição preocupada com a proteção de seus interesses, ao lançar olhar crítico às condutas direcionadas, sobretudo, à permanência (a qualquer custo) de peças-chave dentro da organização episcopal. Sobra até para João Paulo II e Bento XVI, acusados de, em medidas diferentes, passar a mão na cabeça de figuras ligadas à pedofilia que traziam benefícios financeiros à Igreja. Alex Gibney ataca frontalmente um dos mais respeitados estandartes da sociedade ocidental, expondo algumas de suas muitas formas de corrupção, questionando a santidade desse sistema mais preocupado com a hegemonia do que propriamente com os fiéis que, sem saber, dizem Amém.


Publicado originalmente no Papo de Cinema

domingo, 7 de setembro de 2014

Blue Jasmine


Jasmine (Cate Blanchett) nunca dependeu da bondade de estranhos. Agora depende. Antes uma dondoca da alta sociedade nova-iorquina, ela vê seu mundo de luxos e extravagâncias ruir completamente sob os pés, quando o marido se suicida na prisão após acusações de fraude e estelionato. Sem carreira nem dinheiro, ela recorre à irmã Ginger (Sally Hawkins), moradora suburbana de São Francisco, para abrigá-la nesse recomeço. Decalque de Blanche DuBois, protagonista de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, a figura central de Blue Jasmine vai do aparente “céu” dos endinheirados ao “inferno” dos assalariados, não sem um colapso nervoso frente a nova realidade.

O cineasta Woody Allen mais uma vez transita entre burguesia e gente do povo, meio que zombando das “necessidades” da fatia mais abastada, relativizando as felicidades fabricadas apenas por força do dinheiro. Ser rico não é pecado, condenável é se deixar levar pela (efêmera) riqueza, esquecendo atributos essenciais. Como Blue Jasmine alterna passado e presente, vemos Jasmine, por exemplo, fazer caso da irmã pobre, a mesma que mais adiante será seu único ponto de sustentação. Porém, longe daquelas tramas edificantes de transformação, geralmente falsas como notas de 03 reais, Blue Jasmine se destaca justo por não defender as famigeradas mudanças como resultado imediato de nossos erros. Nem todo “crime” tem castigo e/ou arrependimento a ele atrelado. As pessoas são o que são, afirma o sempre tão pessimista (realista?) Woody Allen.

Por outro lado, se Blue Jasmine escapa do comum, muito se deve à interpretação genial de Cate Blanchett, no que a própria definiu recentemente como o melhor trabalho de sua carreira. A socialite destituída da vida de aparências (marido traidor, afinidades superficiais, festas beneficentes ao próprio ego) se torna passível de compreensão e compaixão, dentro das situações propostas, pois “defendida” em sua complexidade por uma atriz, ao que parece, no ápice da carreira. Não fosse ela, possivelmente ficaríamos mais atentos às redundâncias do filme, a certos deslizes responsáveis por torná-lo, vez ou outra, algo estagnado. Blanchett se agiganta em cena e não seria lá tanto exagero dizer: acaba maior que o próprio Blue Jasmine.

Jasmine entra desde já para a galeria dos grandes papeis femininos da filmografia de Woody Allen, um espaço ocupado por Annie Hall (Diane Keaton, em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), Marion Post (Gena Rowlands, em A Outra), Cecília (Mia Farrow, em A Rosa Púrpura do Cairo), isso só para citar algumas. Blue Jasmine observa a decadência financeira da protagonista e seu não renascimento moral /ético, à medida que a circunda de coadjuvantes, entre os críveis e os propositalmente caricatos, para extrair das relações o que elas têm de mais ordinário (e importante). A mescla é conhecida, própria ao trabalho de Woody Allen, cineasta que não vive só de obras-primas, mas cujo trabalho é, para mim, ainda um dos grandes prazeres cinéfilos. 


Publicado originalmente no Papo de Cinema

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Walesa


Lech Walesa foi figura das mais importantes no cenário sócio-político europeu dos anos 1970. Vencedor do Prêmio Nobel da Paz, lutou pela revolução do povo polonês e fundou o Movimento Solidário no país. Coube ao veterano e prestigiado Andrzej Wajda transformar em filme a trajetória desse homem afinado como poucos às causas alheias. De ego folclórico, Walesa (Robert Wieckiewicz) conta sua história a uma famosa jornalista italiana que viajou apenas para documentá-lo em matéria. Avesso aos livros, ele relembra, por exemplo, que a cada manifestação deixava o relógio e a aliança para a esposa vender caso não voltasse do confronto com as tropas do governo. Aliás, Danuta (Agnieszka Grochowska) foi forte na condução do lar em semelhante medida à coragem do marido nos piquetes.

A Polônia da década de 70 testemunhou conflitos ideológicos abundantes, por exemplo, a batalha socialista contra o agigantamento do capitalismo. Nesse terreno, as greves desempenharam papel fundamental, pois estabeleceram, até o possível, grandes vitórias da classe trabalhadora frente ao regime dominante. De braços cruzados, liderados por Walesa e sua oratória privilegiada, funcionários pararam estaleiros, sistemas de transporte, entre outros serviços básicos à subsistência da nação. Por ser cinebiografia ligada a um dirigente político, Walesa é impregnado do então clima de tensão vigente, entretanto reserva olhar curioso ao protagonista, aliás, ideal à própria peculiaridade do mesmo.

Wajda evita fazer um filme sisudo, essencialmente focado na luta de classes. Seu foco é mesmo Walesa, os esforços dele em prol dos companheiros subjugados, a relação de cumplicidade com a mulher que aguentou o tranco rodeada de filhos, na maioria das vezes sem o auxilio do marido ausente, pois ele ora estava ocupado em manifestações, ora numa das muitas prisões. Wadja não edulcora o líder, mostra-o prosaico, entre vaidades e heroísmos, para que dele tenhamos dimensões complexas e, portanto, mais próximas dos fatos, ainda que sob inconfundível viés cinematográfico. Outro ponto a ser enfatizado é a reconstrução de época, bastante importante para conferir verossimilhança tanto à insurreição dos proletários quanto ao relevo de Walesa na condição de personagem histórico.

Outra característica de Walesa é o humor, não o besteirol, mas o humor indissociável do cotidiano, mesmo nos duros tempos retratados. Walesa rege a massa sem aquela dimensão messiânica comumente associada aos líderes populares. Sua empatia vinha de um misterioso e profundo senso de humanidade diante da coisificação crescente, por isso as pessoas o seguiam, elevando-o à condição de chefe de estado verdadeiramente eleito pelo povo.    


domingo, 24 de agosto de 2014

Doses Homeopáticas #26


O LOBO ATRÁS DA PORTA não é um filme comum. Por comum, entendo os que não duram muito na memória. A história passada no subúrbio carioca é feita de amor, sexo, traição, mas principalmente de violência. Tudo se esclarece brutalmente no depoimento da personagem de Leandra Leal, aquele que desdiz os relatos anteriores, responsáveis por criar pequenos flashbacks falsos. A imagem carrega a paixão que transita entre esses personagens tomados de súbito por acontecimentos aleatórios de desdobramentos trágicos. Ninguém é ingênuo no filme de Fernando Coimbra, diretor que mostra muita habilidade na condução da narrativa em que as pequenas fraturas se tornam, gradativamente, grandes rombos emocionais. Os estilhaços atingem a todos.


SOB A PELE começa meio cambaleante. A reiteração não ajuda, pois vemos muitas vezes, sem variação, a extraterrestre usando sua beleza para atrair homens a um lugar que os desintegra. O clima de suspense se deve à música, tão e somente. Contudo, assim que a protagonista decide experimentar os atributos da humanidade, o filme ganha um fôlego completamente novo. A partir dali, a atmosfera se adensa e Johansson pode se ver livre da cara de paisagem, pois então há visível agonia em seu semblante. A imagem do filme também ganha força, agora sim passando a se integrar com a trilha. A crise existencial acontece em meio ao silêncio da protagonista, sem histrionismo. No final das contas, SOB A PELE é um filme muito bom.  


Talvez GUARDIÕES DA GALÁXIA seja mesmo o filme mais legal da Marvel. Bem diferente dos últimos longas do estúdio, que parecem só peças de um quebra-cabeça chamado Os Vingadores, aqui há vida própria, mesmo que o enredo também se encaixe no projeto maior. Ótima história, personagens cativantes, bom-humor e a excelente trilha sonora, fazem de GUARDIÕES DA GALÁXIA uma produção surpreendente. A ação e os efeitos estão a serviço da trama, são necessárias, não um mero enfeite. Grande parte dos méritos é mesmo do diretor James Gunn, pois ele consegue o improvável: imprimir personalidade no produto de um estúdio que, embora esteja fazendo muito bem a lição de casa, às vezes preocupa-se demasiado com a unidade de suas realizações, tendo como efeito colateral uma homogeneidade nociva.